Diário de Bitita: conheça a empoderada escritora Carolina Maria de Jesus

Diário de Bitita

“Assim como as palavras, as pessoas que as escrevem não podem ser apagadas. Sou Carolina Maria de Jesus. Sou uma cidadã negra brasileira. Eu não posso ser apagada”. Maio chegou e ele será dedicado ao empoderamento da mulher aqui na Bemglô. Talvez vocês já tenham ouvido falar de Carolina Maria de Jesus. Eu não a conhecia até que minha amiga, Andreia Ribeiro encenou “Diário de Bitita”, inspirada em seus registros.

Diário de Bitita

Diário de Bitita

Em 1959, ainda não havia sido cunhado o termo “empoderamento feminino”, mas aquela moradora de uma favela paulista traçava seu caminho nessa direção sendo, aliás, a única alternativa possível para ela, uma catadora de papel, que começou a escrever nos cadernos que encontrava, tornando-se a autora de um dos livros mais vendidos do Brasil, “Quarto de despejo: diário de uma favelada”.

Carolina Maria de Jesus

Carolina Maria de Jesus

Carolina fez de sua obra uma denúncia, trazendo o testemunho de sua própria vida, da intolerância, da discriminação de gênero, raça e classe social que vivenciou.

Empoderada, hoje ela é estudada e referência mundo afora, tendo sido incluída na Antologia de Escritoras Negras de Nova Iorque e no Dicionário Mundial de Mulheres Notáveis de Lisboa.

Carolina Maria de Jesus com Clarice Lispector

Carolina Maria de Jesus com Clarice Lispector

A escritora Carolina Maria de Jesus e a peça “ Diário de Bitita ”

Nascida em Sacramento (MG), Carolina mudou-se para São Paulo em 1947, momento em que surgiam as primeiras favelas na cidade. Apesar do pouco estudo, Carolina tinha em casa mais de 20 cadernos com diários sobre seu cotidiano na favela.

Quem a descobriu foi o jornalista Audálio Dantas, que encontrou nos cadernos descrições comuns e fortes do cotidiano, como acordar, buscar água ou fazer o café – o que inspirou o livro e a peça, baseados em seus registros.

A peça

Encenada pela atriz Andreia Ribeiro, com texto e direção de Ramon Botelho, a peça segue o fluxo de memória de Carolina e refaz os passos da infância miserável no interior de Minas, quando a chamavam de Bitita, até o lançamento do seu primeiro livro.

cena da peça "Diário de Bitita""

Cena da peça “Diário de Bitita””

Em cena, Carolina cata papel nas ruas de São Paulo para sustentar a família. As coisas encontradas fazem lembrar os acontecimentos marcantes de sua trajetória, que fizeram dela um exemplo de superação e de sua obra um libelo contra a opressão, a intolerância e qualquer forma de discriminação e preconceito de raça e gênero.

Beijos,

Diário de Bitita

 

 

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