Doação de órgãos: conheça uma história cheia de atitude Bemglô

doação

Nesta semana, quero contar para vocês uma história de doação de amor e de vida, cheia de atitudes Bemglô. As protagonistas são minhas primas de Campinas(SP), Anna Paula, de 36 anos, Eva, com 38 e Anna Maria, com 36, que enfrentaram uma situação difícil na infância. Hoje, mães e bem sucedidas, contam essa história que só rendeu bons frutos.

Essas três irmãs guerreiras foram diagnosticadas com insuficiência renal na primeira infância. Iniciaram o tratamento com hemodiálise e enfrentaram todos os desafios que esta condição traz. O mais importante nesse momento foi a força e o amor da família, que manteve todo mundo firme até chegar a um final feliz.

Leia, se emocione, se inspire e Doe Vida!

Quando o transplante foi realizado?

Eva: Os três transplantes foram realizados em 2005. Eu estava com 26 anos e recebi a doação do meu pai; Anna Paula e Anna Maria, com 24 receberam doação da mamãe e de uma prima.

Como é a relação entre vocês, desde pequenas?

Eva: Pelo fato das Annas serem gêmeas, elas sempre foram e ainda são muito ligadas…acredito que não passem um dia sem se falar! Quando morávamos todas juntas, eu via essa relação como algo distante, parecia difícil eu entrar nela, mas no período em que tivemos que fazer a hemodiálise juntas, creio que foi quando a união mais se estabeleceu. Somos amigas umas das outras, mesmo que hoje em dia cada uma tenha a  sua vida, suas obrigações e rotinas.

Foi difícil o processo de criação da ONG Doe Vida?

Eva: O nosso caso teve muita repercussão na mídia, em 2003. Fomos convidadas a participar de um programa de televisão e com ele, recebemos uma doação em dinheiro. A ideia de fazer uma ONG  foi da minha mãe Izilda,  por ter vivenciado de perto toda a dor da família à espera  de um transplante. Por tudo o que passamos, sentíamos muita necessidade de ajudar outras pessoas, muitas vezes em situações de vida muito mais precárias . A Doe Vida foi fundada em Agosto de 2003 e já são 14 anos de realizações! A ONG, surgida da dor de nossa família, nos deu uma força incrível para lutar. Olhar a dor do outro nos torna mais solidários, mais empáticos e até mais gratos perante a vida, pois existem tantas situações mais difíceis e sofridas que a nossa… É um trabalho sem- fim, mas que renova a nossa fé!

A ONG atende quais tipos de pacientes e o que ela oferece exatamente?

Eva: O trabalho principal da Doe Vida é a conscientização—  através de palestras em diversos locais, participação em eventos voltado à área da saúde e a divulgação, através das redes sociais, sobre a importância da doação de órgãos. Falamos de transplante e suas particularidades também. Pelo fato de termos vivenciado a situação da hemodiálise, o trabalho é mais direcionado aos pacientes carentes que fazem o tratamento em  clínicas situadas em Campinas e região.

Após a triagem do serviço social das clínicas, recebemos uma lista com os nomes dos pacientes mais necessitados e a partir daí, entregamos uma cesta básica por mês para aquele paciente pois são pessoas que, além de sofrerem com a questão do tratamento e restrições que o mesmo impõe, ainda precisam do básico! Com a doença, muitos ficam impossibilitados de trabalhar, não tendo mais renda. Assim, a  venda de produtos com a logomarca da ONG nos ajuda a levantar verbas (já que é uma ONG que não dispõe de verba pública).

Como lidaram com os momentos de medo e preocupação em vista dos desafios gerados?

Eva: Momentos difíceis todos nós passamos…  choro, angústia, medos…  que foram atravessados com união, amor, amizade, e muita fé! Costumo dizer que o sofrimento lapida as pessoas, deixa lições importantes para a vida toda. Hoje sou uma pessoa com um propósito de vida, que trabalha a dimensão espiritual todos os dias, que busca evoluir em todos os sentidos… e não consigo ver evolução sem amor ao próximo! A ONG nos permite doar este amor através de cada ação e com isso nos tornamos mais fortes perante os desafios! Quanta gratidão por toda esta história que nos permite ser hoje melhores do que éramos ontem! Quanta gratidão em poder desfrutar de uma vida normal, poder beber água quando temos sede (coisa que não podíamos fazer quando estávamos em hemodiálise), fazer xixi normalmente, ter disposição e ânimo para as atividades cotidianas! Só posso dizer sempre: MUITO OBRIGADO!

Qual conselho você deixaria para as pessoas, tanto para quem gostaria de doar seus órgãos um dia quanto para as que precisam de ajuda?

Eva: Para as pessoas que gostariam de se tornar doadoras de órgãos, deixo um recado: avise sua família sobre seu desejo! Se informe, se conscientize da importância deste gesto de amor incondicional! Hoje em dia, a família tem a decisão soberana sobre a doação de órgãos de um parente. Não adianta registrar em documento  se não houver esta conversa em vida! Quando a gente doa, a vida continua através de outras pessoas! Para que deixar tudo se acabar se podemos salvar tantas vidas?

Para as pessoas que aguardam na fila, gostaria de dizer que a luta é difícil, mas quando temos um firme propósito em mente, nada pode nos vencer! Diante da dificuldade, entre em contato com a força maior que existe dentro de você. Ela guiará seus passos! Todo o sofrimento gera aprendizados valiosos, basta olharmos atentamente! Busque o que te faz bem, se cuide por inteiro e confie que o melhor acontecerá na sua vida! Não desista, siga em frente! Desejo muita saúde a todos!

Para quem quiser saber mais, assista ao vídeo:

Beijos,

Reprodução Coração 3 de Thamy Albrecht

Reprodução Coração 3 de Thamy Albrecht

Comprar

 

2 Comments

2 Comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *