100 anos de Athos Bulcão

athos bulcão

Começou no último dia 07 e segue até 28 de janeiro de 2019 a exposição 100 anos de Athos Bulcão no Centro Cultural do Banco do Brasil Rio de Janeiro. A mostra reúne mais de 300 obras do artista reconhecido por seus painéis de azulejo que integram, inclusive, o próprio Sambódromo Marquês da Sapucaí.

Imagem: Fundathos/Fundação Athos Bulcão

A trajetória de Athos Bulcão

Athos nasceu em julho de 1918, no bairro do Catete, zona sul carioca. Trocou a medicina pelas artes visuais em 1939 e cinco anos depois estreava sua primeira mostra, na sede do Instituto dos Arquitetos do Brasil. Na vida boêmia carioca conheceu jornalistas, poetas, artistas, músicos e intelectuais. Dentre esses contatos estavam nomes influentes como o arquiteto Oscar Niemeyer e o pintor Cândido Portinari. Athos teve a oportunidade de trabalhar com ambos.

Em 1943 chegou a ser convidado por Niemeyer para integrar o projeto do Teatro Municipal de Belo Horizonte contribuindo com seus murais de azulejos na parte externa. A obra, infelizmente, ficou inacabada sem que Athos pudesse realizar o painel. Dois anos depois, porém, trabalhou com Portinari na Igreja da Pampulha, também em Belo Horizonte, onde construiu um painel de São Francisco de Assis. Desse trabalho em diante, até o final de 1945, Athos tornou-se estagiário de Portinari em seu ateliê no Rio de Janeiro. Voltou a trabalhar com Niemeyer 10 anos depois, em 1955, incluindo seus painéis em projetos do arquiteto, como o atual Hospital da Lagoa, na capital fluminense, e importantes obras em Brasília como a Capela do Palácio da Alvorada. Muitos outros nomes cruzaram sua trajetória, como o poeta Murilo Mendes, o pintor Arpad Szènes, o paisagista Burle Marx, o antropólogo Darcy Ribeiro e a escultora Maria Martins.

Hoje, o trabalho de Bulcão espalha-se pelo Brasil. É possível encontrar seus famosos painéis de azulejo na embaixada do Brasil em Buenos Aires (1989), Cabo Verde (1983) e Nova Dehli (1984); na Caixa Econômica Federal de Natal (1976); no Edifício Niemeyer em Belo Horizonte (1960); na Igreja Santa Cruz dos Alagados, em Salvador (1980); no Memorial da América Latina, em São Paulo (1989), dentre muitos outros que você pode conferir na galeria virtual oficial.

A maioria de sua obra está na cidade de Brasília, nomeando Athos como o “o artista de Brasília”. Na cidade, seus paineis estão na Catedral Metropolitana, no Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, Centro Cultural Missionário, Hospital das Forças Armadas, na Universidade de Brasília, no Auditório Petrônio Portela no Senado Federal e mais de 10 outras obras no Congresso Nacional. Além também de ter painéis nos Tribunais de Contas de Mato Grosso, Minas Gerais, Rio Grande do Norme, Espirito Santo, Sergipe e Bahia. Confira aqui o catálogo do acervo da Fundação Athos Bulcão.

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A exposição, organizada pelo CCBB e com curadoria de Marília Panitz e André Severo, reúne parte desse acervo, com cerca de 330 obras dentre painéis, esculturas e pinturas; trabalhos produzidos no período de 1940 a 2005, três anos antes de sua morte em julho de 2008.

Athos consolidou-se enquanto artista visual com seus painéis, mas também desempenhou grandes trabalhos enquanto desenhista, pintor e figurinista. São dele as capas dos livros “O Encontro Marcado” e “A Cidade Vazia”, ambos de Fernando Sabino. Athos também desenhou o cenário da peça “O Coração Delator”, adaptação do conto de Edgar Allan Poe assinada por Lúcio Cardoso. Também desenhou capas de discos de Irineu Garcia e até do poeta Vinícius de Moraes.

Na mostra, o visitante entra em contato com todas as facetas desse multiartista. Ficou curioso? Então não deixe de visitar:

100 anos de Athos Bulcão

07 de novembro a 28 de janeiro
CCBB Rio de Janeiro
Rua Primeiro de Março, 66 – Centro
Horário: de 9h às 21h
Entrada Franca

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