A Cultura dos Slams

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Os Slams são competições de versos que navegam entre a poesia e o rap e fortalecem a cultura das periferias. Surgiu nos Estados Unidos de 1980 mas chegou no Brasil somente 20 anos depois com o ZAP, Zona Autônoma da Palavra. Desde então, multiplicou-se pelo Brasil uma rede com mais de 90 comunidades de slammers por mais de 15 estados Brasileiros.

Imagem: Slam BR – Final de 2017

 

A poesia fundamenta um importante pilar da literatura brasileira e mundial, mas é reinventada nas rodas de slams quando jovens a utilizam para retratar as realidades marginais como também faz o rap. A diferença é que o slam tem como característica a não utilização de uma batida musical ou figurino, sendo declamada uma poesia em fala de até 3 minutos, decorada ou improvisada. Desde o surgimento em Chicago, cidade mais populosa do estado de Illinois, nos Estados Unidos, o movimento possibilitou o encontro de cada vez mais jovens para debater entre si as dificuldades de suas realidades da arte da poesia.

No Brasil, a cultura dos Slams deu seus primeiros passos em 2008, quando a poeta Roberta Estrela D’Alva reuniu seu grupo de teatro hip-hop para inaugurar o Núcleo Bartolomeu de Depoimentos e, com ele, a Zap! Zona Autônoma da Palavra, primeiro espaço-campeonato de Slam do Brasil, na noite da capital paulista.

Slams são resistência

Deste essa primeira noite, o movimento se popularizou rapidamente pelo país, transformando o que se entende enquanto poesia e transformando o que antes era conhecido como Sarau em um encontro de identidade e depoimentos fortes. Mais do que declamar, o Slam grita a poesia de denúncia e resistência. Mark Kelly Smith iniciou o movimento em Chicago justamente por acreditar que a poesia era uma arte muito elitizada, que precisava ser transportada para as camadas populares e jovens da sociedade.

Mais do que encontros, os Slams se organizam desde 2012 em um enorme campeonato nacional, o Slam BR, cujo vencedor representa o Brasil na Copa Mundial de Poesia, em Paris, na França. Na edição mundial de 2011, Estrela D’Alva representou o Brasil e chegou ao terceiro lugar da competição. Para vencer o Slam BR e representar o Brasil também, os slammers brasileiros passam por diversas seletivas estaduais. As modalidades são das mais variadas. Em São Paulo, onde há o maior número de comunidades, há até mesmo um campeonato escolar, o Slam Interescolar SP. Uma das comunidades mais populares, porém, é o Slam das Minas, que surgiu em 2015 para potencializar a chegada de mulheres no Slam BR.

O Slam das Minas surgiu em 2015 em Brasília e posteriormente em São Paulo e também Rio de Janeiro. Em 2017, a vencedora da edição paulista foi Ingrid Martins, em uma batalha com público de mais de 600 pessoas. Nas edições femininas, apenas mulheres participam mas as demais regras seguem as mesmas: textos autorais, sem intervenção além da voz, com votos de 0 a 10. Neste ano, o próximo evento acontecerá no dia 15 desse mês. Será a final do Slam das Minas Rio de Janeiro, às 19h no Circo Voador, na Lapa, centro da capital carioca.

Para contar toda essa história em detalhes, inaugura nos cinemas no próximo dia 22 de novembro o documentário “SLAM: Voz de Levante”, dirigido pela própria Roberta Estrela D’Alva. Clique aqui para acompanhar as novidades do filme. Neste ano, também, durante a FLUP – Festa Literária das Periferias, acontece terceira edição da Rio Poetry Slam, primeira competição de poesia falada internacional da América Latina. O evento 2018 ocorrerá entre os dias 10 e 15 de novembro, no Morro do Vidigal, zona sul do Rio de Janeiro. Confira aqui a programação.

 

 

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