Arissana Pataxó

Arissana Pataxó é um destaque em ascensão da arte indígena: nascida em Porto Seguro, da etnia Pataxó, estudou Artes Plásticas na Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia e reflete toda a sua vivência e ancestralidade em sua arte, que pulsa a cultura brasileira.

Organizou primeira exposição individual, “Sob o olhar Pataxó”, em 2007 no Museu de Arqueologia e Etnologia da UFBA, quando ainda cursava a graduação que começou em 2005 e veio a concluir em 2009. Também fazem parte do currículo de Arissana a exposição “Eco Arte”, no Museu de Arte de Montenegro (2011), Rio Grande do Sul, e a itinerante “Mira! Artes visuais contemporâneas dos Povos Indígenas”, que passou por Belo Horizonte e Brasília entre 2013 e 2014. Dois anos depois ocupou a segunda colocação no Prêmio Pipa de Arte Contemporânea em sua categoria online, um dos mais relevantes das artes visuais. Em parceria com o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, teve sua uma de suas obras doadas para o espaço, assim como as dos outros 3 finalistas.

A arte de Arissana leva para a arte erudita e contemporânea a vivência indígena que traz do berço. Como documenta o programa Povos Indígenas no Brasil, parte do portal do Instituto Socioambiental (ISA), os Pataxó vivem em diversas aldeias no extremo sul do Estado da Bahia e norte de Minas Gerais. Na Bahia, onde vive Arissana, dividem-se em 36 aldeias distribuídas em seis Terras Indígenas: Águas Belas, Aldeia Velha, Barra Velha, Imbiriba, Coroa Vermelha e Mata Medonha, nos municípios de Santa Cruz Cabrália, Itamaraju, Prado e Porto Seguro.

Mikay (2009)

A arte de Arissana Pataxó

Em entrevista à Revista Claudia, Arissana conta que viveu às margens do rio e que suas primeiras referências de arte são familiares e vieram dessas memórias. Aos 16 anos, quando mudou-se para a aldeia urbana de Coroa Vermelha e posteriormente ingressou na universidade, a artista conta sobre as opressões que enfrentou: “Escutei diversos comentários como: ‘Ah, você não é índia. Você é educada e tem etiqueta’, ‘índio não frequenta shopping’. (…) Cada pessoa tem um índio fictício na cabeça. Essa imagem é construída pelos livros de literatura, pelas escolas, pela mídia. Mas nós somos um povo que vive na floresta e também na cidade. É uma diversidade muito grande. É um erro considerar que índio é tudo igual.”

“Mikay” (imagem acima), escultura de cerâmica feita por ela em 2009, foi um reflexo dessas vivências. O facão referência aos períodos de embate entre os povos tradicionais e os ocidentais que chegavam à Bahia traz o questionamento: O que é ser índio para você? A obra de Arissana compartilha a pluralidade dessas culturas ao retratar as cenas do cotidiano de seu povo. Os Pataxós foram um povo que resistiu às invasões e hoje se solidifica em Coroa Vermelha com mais de 5 mil habitantes. Outros povoados se espalham por zonas rurais e litorâneas, totalizando, como estima o ISA, população de 12.326 pessoas.  

Desde sua formação, entre aldeia e asfalto, Arissana desenvolve projetos voltados para a arte-educação. Tornou-se Mestre em Estudos Étnicos e Africanos no ano de 2012, participou do I Salão de Arte Indígena na Bahia, da Mostra de Cinema em Ouro Preto, e compôs a exposição coletiva “Pimeässä en ole neliraajainen” (no escuro eu não tenho quatro membros), no Centro de Trøndelag para Arte Contemporânea de Trondheim, na Noruega. Mais recentemente, organizou a exposição “Resistência”, como parte do Fórum Social Mundial de 2018, na Bahia. A exposição, uma série de pinturas de grafismos à figura humana, remete à diversidade dos povos indígenas e a sua resistência em “solo brasileiro”.

Hoje Arissana dá aula de arte e Patxohã (“Língua de Guerreiro”, idioma Pataxó) no Colégio Estadual Indígena de Coroa Vermelha. É lá também que ela ministra o curso de formação de professores indígenas. Fez parte também do Diversos, livro fotográfico com a história de artistas e suas obras na perspectiva da diversidade de gênero, idade, pessoas com deficiência, raça e crenças. Acompanhe o trabalho de Arissana em seu blog e também página oficial no Facebook.

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