Arte no Brasil: uma história na Pinacoteca de São Paulo

Pinacoteca

Começou no último dia 15 de outubro e segue até dezembro de 2019 uma das novas exposições de longa duração da Pinacoteca de São Paulo. “Arte no Brasil: uma história na Pinacoteca São Paulo” ocupa todo o segundo andar do edifício da Avenida Tiradentes e tem como objetivo central uma leitura da arte no Brasil do período colonial até meados dos anos 1930. São cerca de 500 obras, entre pinturas, esculturas, desenhos, gravuras e fotografias de autoria de artistas fundamentais para a história da arte brasileira.

A exposição marca uma nova etapa no percurso da Pinacoteca do Estado. Ela sucede a mostra que foi aberta em 1998, no mesmo espaço, e permaneceu até dezembro de 2010, fundamental para o fortalecimento da instituição. São 11 salas ocupadas com a mostra, além de outras quatro com exposições temporárias que vão contrapor a exposição principal, com perspectivas sobre os artistas, movimentos e períodos históricos.

Entre os artistas contemplados na Exposição estão Debret, Taunay, Facchinetti, Almeida Junior, Eliseu Visconti, Pedro Alexandrino, Candido Portinari e Lasar Segall. 300 das obras do acervo passaram por processo de restauro para comporem a Mostra. Além disso, todo o espaço também passou por reforma, como troca de piso, iluminação, segurança e climatização. Para isso, o Fundo Estadual de Defesa dos Interesses Difusos, da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania, foi uma importante fonte de recursos, além da Secretaria de Estado da Cultura. Para a reunião de obras tão potentes na Exposição, colaboraram também os Acervos Artísticos dos Palácios do Governo do Estado de São Paulo, a Fundação Crespi Prado e a Coleção de Arte da Cidade, do Centro Cultural São Paulo – Secretaria Municipal de Cultura.

Obedecendo a uma ordem cronológica, a exposição se articula a partir de dois eixos temáticos, essenciais na constituição e compreensão do desenvolvimento das práticas artísticas no país. De um lado, a formação de um imaginário visual sobre o Brasil – o conjunto de imagens sobre ele, suas relações e sentidos que produzem. De outro, a formação de um sistema de arte no país – ensino, produção, mercado, crítica e museus – iniciado com a vinda da Missão Artística Francesa, a criação da Academia Imperial de Belas Artes e do programa de pensionato artístico. O percurso das salas apresenta os desdobramentos desta história, seus personagens e realizações”, afirma o curador chefe da Pinacoteca do Estado Ivo Mesquita.

Confira abaixo o percurso proposto pela Pinacoteca:

Sala 1 – A tradição colonial

As obras contrapõem a tradição artística do Brasil colonial, tão estreitamente ligada à temática religiosa, à imaginação européia com relação ao país. A breve ocupação holandesa no nordeste daria origem às primeiras pinturas que procuram reproduzir o ambiente natural do país segundo as tradições da pintura de paisagem européia.

Sala 2 – Os artistas viajantes

A sala reúne uma seleção de pinturas de paisagem executadas por artistas estrangeiros entre 1820 e 1890, aproximadamente. São esses artistas, genericamente chamados “viajantes”, os responsáveis por introduzir no ambiente artístico brasileiro gêneros já consagrados da arte européia, como a paisagem e a natureza-morta.

Sala 3 – A criação da Academia

As obras de Jean-Baptiste Debret, Nicolas Taunay e Zéphéryn Ferrez, artistas da Missão Francesa de 1816, sinalizam a criação da academia de belas artes no Rio de Janeiro e a instauração, portanto, de um novo sistema artístico, baseado no modelo Francês. Esta academia forma gerações de artistas, representados por Agostinho José da Motta e Pedro Américo, entre outros, responsáveis pela difusão da regra acadêmica, que estabelece novos padrões de gosto ao ambiente artístico no Brasil.

Sala 4 – A Academia no fim do século

A sala apresenta obras de Rodolfo e Henrique Bernardelli , assim como de outros professores e alunos da Academia no período entre 1890 e 1915, como Zeferino da Costa, Belmiro de Almeida e Pedro Weingärtner.

Sala 5 – O ensino acadêmico

A sala propõe uma reflexão a respeito do sistema de ensino nas academias de belas artes, abordando alguns de seus aspectos principais: o exercício do desenho; os estudos do corpo humano; as cópias de pinturas dos grandes mestres e a viagem à Europa como prêmio da principal competição proposta pela instituição.

Sala 6 – Os gêneros de pintura

A sala reúne brasileiros dos quatro gêneros propostos pelo ensino acadêmico – natureza-morta , paisagem, retrato e pintura histórica – indicando o alcance e a longevidade do modelo francês difundido pelas academias do mundo.

João Baptista da Costa | Quaresmas, c.1910

Sala 7 – Realismo Burguês

A Academia é a base de um sistema artístico que pressupõe o mecenato. É inevitável que a produção acadêmica reflita, portanto, valores importantes para certas classes sociais. No final do século XIX, as obras de Almeida Junior, Eliseu Visconti e Oscar Pereira da Silva, entre outros, reunidas nesta sala revelam a consolidação de um gosto tipicamente burguês no Brasil.

Sala 8 e 9 – Das coleções para o museu

Estas salas reúnem obras oriundas de alguns dos grandes lotes de doação que vieram a constituir o acervo da Pinacoteca do Estado, como o da Família Azevedo Marques (1949), Família Silveira Cintra (1956), Alfredo Mesquita (1976/1994), entre outros.

Sala 10 – Um imaginário paulista

A sala propõe uma reflexão sobre a imagem que São Paulo busca projetar sobre si a partir do final do século XIX. As telas em que Almeida Junior propõe a tipificação do

caipira paulista são contrapostas a imagens da transformação da paisagem urbana de São Paulo.

Sala 11 – O nacional na arte

Reunindo obras de diferentes períodos, a sala destaca uma questão que perpassa todo o século XIX brasileiro, permanecendo como indagação ainda para artistas e intelectuais do modernismo paulista: a criação de um ideário nacional nas artes.

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Ao lado do percurso artístico, a Exposição também propõe espaços educativos. Uma Sala de Leitura foi montada com material sobre a história da arte brasileira e da Pinacoteca de São Paulo. Em outro ponto, a Sala de Interpretação reúne elementos interativos para que os visitantes registram impressões pessoais da mostra. Também há a Galeria Tátil de Esculturas Brasileiras, espaço que reúne 12 obras selecionadas para visitantes com deficiências visuais, através do tato e de áudio-guia.

A Pinacoteca Luz fica na Praça da Luz, 02, em frente à Avenida Tiradentes. Visitação de Quarta a segunda, das 10h às 17h30. O ingresso custa R$ 6,00, com meia entrada a R$ 3,00 para estudantes com carteirinha. Menores de 10 anos e maiores de 60  não pagam e aos sábados a entrada é gratuita para todos.

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