O Feito à Mão Mehinako

Os Mehinako são um povo originário do Alto do Xingu, do tronco linquístico Aruak, que vivem no estado do Mato Grosso. São pouco mais de 200 que compõem essa etnia que sobreviveu às expedições de pesquisadores europeus e brasileiros desde o final do século XIX, em diversos pontos da região onde desde 1960 se localiza a reserva natural Parque Nacional do Xingu.

O feito à mão Mehinako, dentre outras atividades, inclui colares de tucum, pintura, esculpo de madeira para bancos, arcos e flechas, e a cestaria, definida no Dicionário do Artesanato Indígena de Berta G. Ribeiro como um “conjunto de objetos – cestos-recipientes, cestos-coadores, cestos-cargueiros, armadilhas de pesca e outros -, obtidos pelo trançado de elementos vegetais flexíveis ou semi-rígidos usados para transporte de carga, armazenagem, receptáculo, tamis ou coador”.

Na diversidade da cestaria Mehinako estão os Cestos Kuño, usado originalmente para a pesca. São cestos trançados com fibra de buriti e tramado com fios de algodão.

Cestos Kuño

A fibra vem do buritizeiro, palmeira amazônica que chega a 35 metros de altura, comum nas beiras dos rios e regiões alagadas. As folhas que acompanham o fruto da palmeira são utilizadas de duas formas: das folhas mais velhas se extrai uma palha mais rústica, e das mais recentes uma fibra muito fina e delicada, usada na cestaria Mehinako.Com o talo do buritizeiro também se criam cestas mais brutas e artefatos domésticos.

No exterior, a fibra de buriti é uma iguaria usada em joias, sapatos e chapéus, e na cultura ancestral Mehinako ganha tingimentos naturais à base de tinturas vegetais. No caso dos Cestos Kuño, chegam nas regiões urbanas como obra de arte e peça decorativa, mas no cotidiano dos povos originários são utilizados como um coador.

Na pesca com timbó, uma espécie de cipó que intoxica momentaneamente os peixes, usam-se os Cestos Kuño para coletar os peixes e escoar a água.

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No Alto do Xingu, vivem diversas etnias de povos originários. Como aponta o Povos Indígenas do Brasil, mapeamento do Instituto Socioambiental, “o sistema especializado de trocas comerciais, os rituais intersocietários e os padrões de intercasamento a um só tempo enredam e particularizam os Mehinako das demais etnias que os circundam”.

Os Mehinako sempre viveram na bacia do Xingu, e os registros apontam a aldeia Yulutakitsi como sendo a mais antiga, habitada há pelo menos 150 anos. A ancestralidade Mehinako remonta que esta primeira aldeia era dividida em duas partes vivendo em lados opostos de uma praça central. Ainda hoje essa memória infui na organização, colocando as casas dos chefes locais em pontas opostas.

A ancestralidade Mehinako

Os antigos Mehinako viviam na região dos rios Tuatuari e Kurisevo, e é neste primeiro que retornam ainda hoje para a coleta de pequi, reconhecido como o “lar dos espíritos”, e para fazer sal com um aguapé da região.

Os Mehinako e diversas comunidades do Parque Nacional do Xingu receberam visitas de experições europeias desde o final de 1800, quando o alemão Karl von den Steinen chegou à região em 1884. Desde então migraram por alguns pontos, devido às epidemias de gripe e sarampo trazidas pela interação com os povos não-indíos e também conflitos locais, até chegarem à atual instalação, a aldeia Uyapiyuku.

A aldeia atual segue a tradição das anteriores, localizada entre dois rios e formando o “Caminho do Sol”: o SOl nasce sobre o rio Kurisevo, a leste, passa sobre a “casa dos homens” ao centro da comunidade, e se põe à oeste sobre o rio Tuatuari.

Ao centro também permanece a praça onde ocorrem as discussões, lutas, decisões da aldeia e suas festividades. Dentre elas está a cerimônia funerária Kwarup, quando os líderes das aldeias são enterrados em redes presas em dois postes subterrâneos, cada um preso em uma cova. Todo o rito de passagem e os alimentos para os convidados são de responsabilidade de um parente, que também deve construir uma cerca ao redor da sepultura. Durante a construção ocorre um grande festival com músicas, comida, pintura e danças rituais.

Mais sobre a fé Mehinako é compartilhada pelo projeto “Hibridos – the Spirits of Brazil” em um documentário dos diretores Vincent Moon e Priscilla Telmon. Assista abaixo:

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