Dica de filme: Flores Raras

Flores Raras

Nos anos 60, o Brasil passava por um importante – e duríssimo – momento histórico: a ditadura militar. Em meio à repressão, duas mulheres que circulavam pela elite carioca viveram um intenso amor: Flores Raras (2013) conta a história real da arquiteta brasileira Lota de Macedo Soares (Gloria Pires) com a poetisa americana Elisabeth Bishop (Miranda Otto). Mas engana-se quem pensa que este é apenas mais um filme de romance.

Com direção de Bruno Barreto (também diretor de Dona Flor e seus Dois Maridos), Flores Raras é um filme que aborda um romance entre duas pessoas do mesmo sexo, mas não repete a fórmula de outros filmes que buscaram representar uma relação LGBT. O amor entre Lota e Bishop é a base para um diálogo muito mais profundo: o da perda.

Sinopse: “Elizabeth Bishop é uma poetisa insegura e tímida, que apenas se sente à vontade ao narrar seus versos para o amigo Robert Lowell. Em busca de algo que a motive, ela resolve partir para o Rio de Janeiro e passar uns dias na casa de uma colega de faculdade, Mary, que vive com a arquiteta brasileira Lota de Macedo Soares. A princípio Elizabeth e Lota não se dão bem, mas logo se apaixonam uma pela outra.”

A arquiteta brasileira e a poetisa americana são opostos não só pela cultura. Enquanto Lota mostra-se divertida no início da trama e Bishop arisca às culturalidades brasileiras, os papéis se invertem no decorrer da história. Gloria Pires dá vida com excelência à virilidade da arquiteta, decidida, focada e um tanto controladora. Por outro lado, Miranda Otto exprime com igual maestria a delicadeza da poetisa. Esse encontro ainda relaciona-se no início com Mary Morse, interpretada por Tracy Middendorf, à época companheira de Lota. O que viria a ser um triângulo amoroso se desfaz decidem se entregar à paixão.

O sentimento da perda presente em Flores Raras

À Rolling Stores, o diretor disse à época do lançamento: “O tema do filme é a perda. O fato de ter um romance entre duas mulheres é só um elemento – um elemento que não evito e mostro de maneira natural”. De fato, o romance entre as duas mulheres é um barco entre águas mais tortuosas. Flores Raras mostra como lidamos com a perda de nossas paixões, sonhos ou até mesmo do outro. Bishop, fraca e insegura, se fortalece ao longo do filme ao compreender que a perda faz parte da vida. Enquanto Lota, confiante no primeiro momento, mostra-se frágil por não saber perder.

Somando à toda poesia que envolve a trama, o filme ainda debate a política da época em pleno Golpe Militar (1964) ao relacionar o amor proibido ao período histórico de repressão. Lota, a favor como a elite da época e Bishop atônita com a aceitação do povo à perda da liberdade. Também, aborda a formação do Aterro do Flamengo, um marco na história do Rio de Janeiro e maior aterro urbano do mundo. A convite do amigo Carlos Lacerda, governador do estado, Lota foi um dos nomes responsáveis pelo projeto.

Flores Raras é obrigatório. Aborda o amor entre duas mulheres, grandes personalidades, e dialoga sobre as dores, contextos e política em um período inesquecível da história do Brasil.

 

Reprodução Coração 1 de Thamy Albrecht

Reprodução Coração 1 de Thamy Albrecht

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