Fórum Fashion Revolution

No mundo fashion, 24 de Abril de 2013 sempre será lembrado como o dia em que a reputação da moda ruiu. Foi nessa data que desabou o edifício Rana Plaza, em Daca, capital de Bangladesh. O prédio de oito andares abrigava cinco grandes confecções que trabalhavam para marcas conhecidas no mundo todo. O desastre matou mais de 1.100 pessoas e deixou cerca de 2.500, gravemente feridas. Foi o pior acidente envolvendo a indústria da moda, até hoje.

Como reação a essa catástrofe, surgiu o Fashion Revolution, um movimento global que tem como objetivo unir todos os atores envolvidos na cadeia de produção da moda, para repensar como as roupas são criadas, produzidas, consumidas e descartadas.

“O Fashion Revolution nasceu como uma bandeira para que as pessoas não continuem morrendo pela moda”, diz Eloisa Artuso, diretora educacional da entidade no Brasil. “Acidentes não tão graves acontecem o tempo todo, e quase ninguém toma conhecimento disso”, completa.

O foco do movimento, no entanto, não é apenas nas questões sociais. Abrange, também, os impactos ambientais que estão muito presentes na indústria da moda, considerada uma das maiores poluidoras do mundo.

A boa notícia é que o movimento Fashion Revolution se espalhou rapidamente pelo mundo. “Hoje, estamos presentes em mais de 100 países. No Brasil, criamos ações como a Fashion Revolution Week, uma semana com palestras, debates, oficinas, e seminários, pensados para fomentar a discussão da sustentabilidade na moda”, diz Eloisa.

A ideia é sensibilizar, conscientizar e educar as pessoas com relação aos impactos da moda no meio ambiente. Por se tratar de uma mudança sistêmica, é preciso a colaboração de todos os elos da cadeia fashion, do agricultor até o consumidor.

Na raiz do problema, está também o ciclo de consumo em alta escala, que faz com que a produção extraia cada vez mais recursos naturais e, além disso, gere um descarte de proporções gigantescas. O descarte de resíduos é um grande problema que o mundo está enfrentando, e não só na indústria da moda. Vale lembrar que tudo o que é “jogado fora” continua aqui dentro, no planeta Terra.

Uma das ações do Fashion Revolution é a campanha #QuemFezMinhasRoupas, que estimula as pessoas a fazer esta pergunta em suas redes sociais, para incentivar as marcas a adotar mais transparência em seus processos. “Sempre houve muito segredo nos bastidores da moda, então, a transparência é algo muito novo nesse setor. É um passo importante para desencadear todas as outras mudanças necessárias”, explica Eloisa.

O Fórum Fashion Revolution, criado pela equipe educacional brasileira, é outra ferramenta importante. Segundo Eloisa, “ele nasceu da inquietação de perceber que existiam diversos seminários, conferências e colóquios, que debatem moda de uma maneira geral, mas que não havia um evento em focado em discutir a sustentabilidade na moda”. A primeira edição aconteceu em 2018, e a segunda, nos dias 10 e 11 de outubro de 2019.

O Fórum tem um viés acadêmico: apresenta artigos sobre sustentabilidade na moda previamente selecionados através de um edital. “Desde o início, queríamos que não fosse um evento fechado, só para o mundo acadêmico. Tem muita coisa interessante acontecendo na academia, mas também, no mercado. E parece que essas duas bolhas não conversam. Então decidimos que os artigos poderiam  ser submetidos por qualquer profissional do mercado que esteja interessado em debater o assunto”, diz Eloisa.

O edital deste ano foi dividido em três grandes eixos que seguem as diretrizes da campanha 2019 do Fashion Revolution global:

  • Mudanças na indústria, para repensar processos, sistemas, e matérias-primas

  • Mudanças culturais, que tem muito a ver com o comportamento de consumo

  • Mudanças políticas, que envolvem a criação de uma agenda de políticas públicas que possam propiciar melhorias no setor

 A maioria dos trabalhos inscritos na edição 2019 do Fórum pertence à categoria de mudanças culturais. “O que eu senti, de maneira geral, é uma vontade muito grande, das pessoas, de se reconectar com suas essências e suas origens. Havia muitos trabalhos falando sobre técnicas e tradições ancestrais, como resgatar e valorizar isso. Vários desses projetos vieram de pessoas bem jovens, então me parece que é uma preocupação que está latente entre elas”, diz a educadora.

Métodos de upcycling, como repensar processos industriais, a transformação do varejo e da relação das pessoas com as roupas, foram outros assuntos presentes no Fórum. Confira tudo o que foi apresentado no ebook do evento, que pode ser baixado gratuitamente, aqui.

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