Frontispícios, de Jurandy Valença

Sé Apresenta “Frontispícios” de Jurandy Valença

O artista alagoano, radicado no Rio de Janeiro, apresenta cerca de 30 obras inéditas

Nessa exposição, Jurandy Valença dá continuidade à sua pesquisa em torno do universo literário apresentando cerca de 30 obras fotográficas. Frontispícios tem um significado duplo que remete tanto aos ornamentos decorativos numa fachada arquitetônica quanto à folha de rosto de um livro. Desdobramento da série Biblioteca Particular, iniciada há mais de dez anos, o artista busca através dos signos contidos em capas, quarta-capas, folha de guarda, páginas e miolos realizar uma espécie de arqueologia visual de livros antigos.

“Como vai seu mundo?

“Como vai seu mundo?”

Comprar

De livros franceses da década de 1940 ele fotografa várias reproduções de retratos, sobretudo de dois artistas que dão nomes às séries “Portrait/Ingres” e “Portrait/Velazquez”. Valença destaca o uso de técnicas de luz e de dispositivos ópticos que antecederam à fotografia por parte desses pintores e seleciona obras em que o retratado está olhando diretamente para o espectador. Desse modo a fronteira entre o pictórico e o fotográfico torna-se quase inexistente nessas 18 imagens que compõem as duas séries.

Há também três obras preenchidas somente com as assinaturas de grandes mestres da arte (Chagall, Renoir e Picasso), molduras que enquadram o vazio e manchas de cor, ornamentos, estampas e padronagens, tudo compondo um forte ambiente pictórico. Da capa de um livro de Stefan Zweig sai a única frase da exposição “Brasil País do Futuro”, a ironia está tanto no fim trágico do autor (um suicídio), quanto no estado velho e desgastado do livro, apenas com as letras em dourado.

Em “Frontispícios”, o analógico e o digital, o fotográfico e pictórico, o abstrato e figurativo, a paisagem e o retrato, a escritura e a imagem, se encontram, se esbarram e se desdobram. É uma exposição sobre o tempo, sobre a perda e a permanência que a fotografia representa.

Sobre o Artista:

O alagoano Jurandy Valença mudou-se para São Paulo no começo da década de 1990 onde morou e trabalhou junto a escritora Hilda Hilst, publicando um livro de poesia intitulado “Faca de Vidro” [1992]. A partir de 1998 começou a desenvolver trabalhos de fotografia. Participou – desde então – de mais de 60 exposições, recebeu três prêmios-aquisições e foi tema de um documentário exibido pela TV Sesc-Senac. Entre as curadorias que participou destaca-se o projeto contemplado em 2013 com o Prêmio Rede Nacional Funarte: o “Poemas aos Homens do Nosso Tempo – Hilda Hilst em Diálogo”, realizado junto a Ana Luisa Lima e Samantha Moreira, que reuniu cinco artistas contemporâneos brasileiros em uma residência e uma exposição. Valença trabalhou também como jornalista nas revistas Bamboo, Dasartes e Mag!, escrevendo sobre artes visuais, arquitetura e design; e é colaborador do Mapa das Artes São Paulo há mais de dez anos. Atualmente está morando no Rio de Janeiro onde trabalha em vários projetos, um deles é a galeria online conectearte, na qual é curador.

SERVIÇO:

“Frontispícios”. Individual de Jurandy Valença
Abertura: 28/ de junho, 11h/19h
Visitação: 30/6 a 23/8 de 2015
Terças, quartas, quintas e sextas, 11h/19; sábados, 11h/17h
Sé/Jardins
Rua Barão de Capanema, 208, Jardins, São Paulo, SP
Tel: 11 3083-0074

Não existe comentário.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

WordPress Appliance - Powered by TurnKey Linux