Inhotim: Jovens Agentes Ambientais

“Transformar o mundo no quintal de casa”. Esse é o lema do projeto Jovens Agentes Ambientais (JAA), do Instituto Inhotim, que desde 2008 leva o debate sobre sustentabilidade para jovens da rede de ensino de Minas Gerais. Consumo consciente, agricultura familiar e qualidade de vida na contemporaneidade são alguns dos temas já desenvolvidos com as turmas do projeto, que também já atuou em com parceria em outras cidades do Brasil.

O Jovens Agentes Ambientais surgiu há 11 anos para ensinar técnicas de jardinagem e cultivo do solo, mas com o passar dos anos se tornou o importante projeto de conscientização socioambiental e formação cidadã que é hoje. Anualmente, na sede do Instituto Inhotim, na cidade de Brumadinho, são formadas turmas de 25 alunos que atuam durante dois semestres no instituto. Todo o acervo ambiental e também artístico tornam-se o ponto de partida para o estudo destes alunos, que são incentivados a pesquisarem  os aspectos sociais e também políticos que envolvem o meio ambiente e a sua preservação.

Jovens Agentes Ambientais: O mundo no quintal de casa

Quando se fala em meio ambiente, sempre se pensa em algo externo à nossa casa, ao nosso bairro e principalmente distante das grandes cidades, mas mesmo o urbano faz parte do meio ambiente. Vivemos todos como parte do meio ambiente e essa conscientização é central dentro do ensino difundido pelo Jovens Agentes Ambientais. Através de pesquisas, visitas externas e exploração da própria comunidade, o projeto transforma os estudantes em protagonistas que pensam a sua própria relação com o meio ambiente. Nos encontros, Inhotim torna-se um grande laboratório.

“As estatísticas e as projeções dos cientistas sobre o destino do nosso planeta são alarmantes, muitas vezes a ponto de nos paralisar. Mas a estagnação não é, para nós, uma opção. Conscientes de que é urgente fazermos escolhas mais saudáveis com relação aos nossos hábitos de consumo, seguimos em frente sempre em busca de alternativas que nos façam reaprender a estar no mundo sem destruí-lo.” (Supervisora de educação Lilia Dantas sobre o Jovens Agentes)

As primeiras turmas do programa, em 2008, foram nas cidades de Brumadinho (MG) e Cavalcante, estado de Goiás. Em 2013, teve um projeto piloto na cidade em Araras, distrito de Petrópolis, no Rio de Janeiro. Na ocasião, Cleo Pires foi a madrinha do projeto e esteve no Instituto Inhotim para a formatura da primeira turma. Em dezembro de 2018, ocorreu também a formatura da primeira turma do Jovens Agentes Ambientais em parceria com a Fundação Helena Antipoff, em Ibirité, região metropolitana de Belo Horizonte. A parceria entre ambas as instituições começou em 2016, e formaram-se no projeto mais de 40 alunos da Fundação.

Como padrão, o Instituto seleciona anualmente jovens de 14 a 17 anos em dinâmicas de seleção que não priorizam conhecimento prévio ou desempenho escolar. O JAA prioriza jovens que tenham olhar crítico e sejam interessados em questões contemporâneas como o papel do jovem na sociedade,  gênero e sexualidade, representatividade política no Brasil e democracia, entre outros.

Jovens Agentes, Instituto Inhotim e comunidade

Após o rompimento da barragem Mina Córrego do Feijão, no bairro Córrego do Feijão, que deixou mais de 180 mortos em Brumadinho, o Instituto Inhotim permaneceu fechado até o último dia 09 de fevereiro, quando retornou às atividades com um dia de homenagem às vítimas e seus familiares. O Instituto é o maior museu a céu aberto do mundo, com cerca de cerca de 1.300 obras de arte contemporânea, vasto acervo botânico em espécies da mata atlântica e cerrado, 23 galerias e seis jardins.

O rompimento ocorreu a 18 quilômetros de distância e não atingiu o complexo, um importante espaço de ligação com a comunidade. Inhotim não só é um polo turístico internacional para os amantes da arte, como também faz ponte entre arte, meio ambiente, cidadania e da diversidade cultural. Além de empregar parte da população (cerca de 80% de seus 600 funcionários), projetos como o Jovens Agentes Ambientais são essenciais para a conexão do instituto com o município.

“Uma relação ambiental difere muito do que as pessoas pensam que é óbvio. Por exemplo, uma pessoa tem a noção que o meio ambiente é só a floresta. Mas o lugar em que você vive já é um ambiente, o seu ciclo, o que você faz, é o seu ambiente. Aqui aprendemos isso e aprendemos as formas de melhorar esses lugares” (Aluna Ana Clara Silva sobre o Jovens Agentes.  

Em nota em sua página no Facebook, o Instituto comenta sua posição diante e após o rompimento: “Sendo uma instituição referência na região e entendendo que o desastre deixará marcas profundas e duradouras, o Inhotim está ciente que terá um papel crucial na recuperação de uma cidade abalada nos próximos anos. Cultura, arte, meio ambiente e educação, os grandes pilares do Instituto, são fundamentais para o desenvolvimento humano e da sociedade e continuarão sendo ponto de partida para a definição de ações futuras”.

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Inhotim fica há 60 quilômetros da capital mineira Belo Horizonte. A instituição é sem fins lucrativos e todo o valor arrecadado com entradas e demais serviços são direcionados à manutenção das exposições e todos os projetos socioambientais e educacionais.

O parque funciona de terça a sexta-feira, de 9h30 às 16h30. Aos sábados, domingos e feriados, o horário estende até 17h30. O ingresso curta R$44, com direito a meia entrada e ingresso gratuito a todos sempre às quartas-feiras. Para crianças de até 5 anos, o acesso é livre todos os dias. Para chegar ao Instituto, acesse aqui para conferir todas as orientações de rota.

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