Jerônima Mesquita e a luta pelo Movimento das Mulheres

Jerônima Mesquita

Em 1932 as mulheres passaram a ter direito a voto no Brasil. Apesar de hoje parecer difícil imaginar uma sociedade onde mulheres seriam privadas de direitos tão básicos, assim era o nosso e muitos outros país há uma porção de décadas atrás. Muitas mulheres fizeram parte do grande movimento sufragista (direito a votar) que mudou essa realidade, e muitas outras continuaram na luta pelo direito das mulheres em todos os outros aspectos da vida social. Uma delas era Jerônima Mesquita, que apesar de não ser um nome constante na grande mídia atualmente teve a data de seu aniversário, 30 de abril, instituída como o Dia Nacional das Mulheres.

Filha de uma família rica e influente, cresceu entre uma grande fazenda no interior de Minas Gerais e a capital do Rio de Janeiro. Sua família era conhecida pela forma à frente do seu tempo com que lidavam com escravos, libertando-os antes mesmo da Lei Áurea. Aulas de música estavam entre as atividades dentro da fazenda, mas além do berço humanitário foi na Europa que Jerônima se encontrou dentro das causas sociais. Enfermeira e em meio à I Guerra Mundial, teve experiências da Cruz Vermelha francesa e suíça, sendo uma das responsáveis por trazer a instituição humanitária para o Brasil.

Jerônima Mesquita casou-se precocemente, aos 17, por imposição da família, mas antes dos 20 já estava solteira novamente. Foi em Paris, também, que conheceu Bertha Lutz e Stela Guerra Duval. A amizade rendeu uma intensa atuação dentro do movimento feminista e na luta pelo direito das mulheres no Brasil. Juntas, fundaram a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF), em 1922, uma iniciativa para fomentar no país as pautas do movimento feminista e unir as mulheres em prol dessa luta. A Federação foi resultado da Liga para Emancipação Intelectual da Mulher, que desde 1919 já desempenhava papel similar. Jerônima também esteve à frente de um importante documento à época, chamado de Manifesto Feminista:

As mulheres, assim como os homens, nascem membros livres e independentes da espécie humana, dotados de faculdades equivalentes e igualmente chamados a exercer, sem peias, os seus direitos e deveres individuais, os sexos são interdependentes e devem, um ao outro, a sua cooperação. A supressão dos direitos de um acarretará, inevitavelmente, prejuízos pra o outro, e, conseqüentemente, para a Nação. Em todos os países e tempos, as leis, preconceitos e costumes tendentes a restringir a mulher, a limitar a sua instrução, a entravar o desenvolvimento das suas aptidões naturais, a subordinar sua individualidade ao juízo de uma personalidade alheia, foram baseados em teorias falsas, produzindo, na vida moderna, intenso desequilíbrio social; a autonomia constitui o direito fundamental de todo indivíduo adulto; a recusa desse direito à mulher é uma injustiça social, legal e econômica que repercute desfavoravelmente na vida da coletividade, retardando o progresso geral; as noções que obrigam ao pagamento de impostos e à obediência à lei os cidadãos do sexo feminino sem lhes conceder, como aos do sexo masculino, o direito de intervir na elaboração dessas leis e votação desses impostos, exercem uma tirania incompatível com os governos baseados na justiça; sendo o voto o único meio legítimo de defender aqueles direitos, a vida e a liberdade proclamados inalienáveis pela Declaração da Independência das Democracias Americanas e hoje reconhecidas por todas as nações civilizadas da Terra, à mulher assiste o direito ao título de eleitor.

Mais curiosidades sobre Jerônima Mesquita

Outro grande feito de Jerônima Mesquita foi a fundação do Conselho Nacional de Mulheres do Brasil (CNMB), um coletivo para pressionar e desenvolver ações sociais em torno do direito das mulheres. Uma conquista do Conselho foi a fundação da Maternidade Pró-Mater, em 1947, um hospital beneficente para gestantes pobres, além da fundação da Associação Cruz Verde, que atuou no combate à febre amarela, fome e outras doenças ainda no início do século 20.

Para além disso, o nome de Jerônima Mesquita também é um importante dado no Movimento Bandeirante Brasileiro, em 1919; um movimento que à luz da primeira guerra incentivou o ensino inclusivo de mulheres para enfermagem, puericultura (saúde infantil) e primeiros socorros.

A história de Jerônima é singular: apesar de nascer em uma família privilegiada, com condições financeiras exorbitantes à época, Jerônima desde a juventude se manteve próximo à causa social, desde a saúde com a Cruz Vermelha às lutas políticas pelo direito da mulher. Esteve à frente, junto a outras importantes personagens da história, de feitos importantíssimos para os avanços Brasileiros na luta feminista.

Sem dúvida alguma, sua memória deve ser compartilhada e permanecer viva, para que novos avanços em prol de uma sociedade amplamente igualitária sejam possíveis. Que no próximo Dia Nacional da Mulher, comemoremos a luta de Jerônima como em qualquer data internacional.

 

 

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