Mais que brinquedos, representatividade

Salve, Glorioses. Hoje sabemos o quanto o ato de brincar é importante para a criança,  desenvolvendo as aptidões necessárias para a vida social, como linguagem e raciocínio, através da representação espacial. Também exercita a objetividade, reflexão, flexibilidade, atenção, concentração, memória, imaginação, autonomia, cooperação, autoconfiança, autoestima, iniciativa e sentimentos de competência. Bonecas e bonecos são a melhor forma de interação da criança com o mundo à sua volta, porque são a imediata representação delas mesmas. 

No entanto, para as crianças não-brancas, essa identificação é prejudicada pela falta de opção de bonecxs negrxs no mercado de  brinquedos. Em 2015 a empreendedora social Geórgia Nunes sentiu “na pele” essa lacuna, enquanto buscava brinquedos afirmativos para doar em um evento do Dia das Crianças, para crianças negras. Diante da dificuldade, Geórgia decidiu que começaria, ela própria, a fazer as suas bonecas. Assim nasceu Amora, uma boneca  feita à mão (com tecidos doados pelos blocos de rua de Salvador) e que rende frutos desde o início de sua jovem vida: a cada boneca vendida, uma é doada!

Eu Brinco, Eu Existo!

Conforme foi crescendo e se fortalecendo, Geórgia criou o projeto Eu Brinco, Eu Existo!, que leva diversão, representatividade e auto estima para um número cada vez maior de crianças, apoiada na Lei 10.639, em parceria com escolas públicas de ensino infantil. Curiosamente, muitas mulheres, adultas, também compram as bonecas Amora,  pois, como a própria Geórgia, não tiveram acesso à brinquedos assim quando criança. 

Com o negócio social crescendo, em 2018 Geórgia decidiu que iria além. O Ateliê se uniu ao programa Negras Potências de financiamento de projetos e conseguiu levantar fundos para organizar 12 edições de seus eventos em 2019! 

Foram três meses costurando as mais de 100 bonecas doadas para as escolas, mais de 180 recompensas distribuídas a cada um dos apoiadores do fundo e organizando eventos todos os finais de semana em um total de 12 escolas baianas. Cada instituição de ensino ainda ganhou 5 bonecas Amora para continuarem a trabalhar a identidade negra em sala de aula, espaço tão especial para formação do cidadão e o respeito às diversidades. 

Depois de tanto trabalho, julho foi o mês de colher os frutos, e o Ateliê contabilizou mais de 4.000 crianças impactadas, que puderam aprender mais sobre a cultura negra,  brincando.

Para comprar a boneca Amora, é só acessar o site. No Instagram do Ateliê, é possível  acompanhar cada passo dessa jornada. 

O projeto segue recebendo inscrições de escolas que estejam interessadas em receber o “Eu Brinco, Eu Existo!”. É preciso apenas ser de educação básica e se inscrever aqui no formulário

Um beijo e até a próxima Quarta Gloriosa! 

 

 

 

 

 

 

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