Mulheres Invisíveis aos Olhos Coloniais

Unindo um grupo de mulheres, entre fotógrafas e produtoras, o projeto Peita lançou em outubro passado a série “Histórias de mulheres invisíveis aos olhos coloniais”, que reúne depoimentos de mulheres indígenas e suas visões individuais sobre a própria vivência enquanto mulheres e os desafios que enfrentam em suas próprias comunidades. 

A websérie contará com 6 mini documentários produzidos em parceria com o Projeto Origem e a produtora Toro Áudio, e nasceu após a designer Karina Gallon, presidente da Peita, participar do primeiro encontro do Movimento Xondaria Kuery Jera Rete, na Aldeia Palmeirinha, no município de Chopinzinho (PR) em julho de 2019. 

Foi no encontro, organizado para conscientizar mulheres indígenas sobre seus direitos, principalmente as que vivem em regiões mais afastadas, que Karina viu a oportunidade de contribuir com o movimento. A série de vídeos é uma dessas ações, por abrir espaço para que mulheres de diferentes etnias dialoguem a própria realidade e compartilhe entre si diferentes formas de agir e pensar o ser mulher e indígena.

No primeiro episódio, quem fala é a cacique Juliana Kerexu Mirim Mariano, da etnia Guarani Mbya e da aldeia Tekoa Takuaty. Única mulher entre 7 irmãos, Juliana conta sobre sua linhagem, desde a bisavó que além de parteira, também era pajé e dividia essa função com seu avô. Lutar pelo reconhecimento e organização do trabalho das mulheres em sua aldeia, que produzem e comercializam artesanato, e mantém viva a tradição local, é uma de suas bandeiras. 

O segundo episódio da websérie trouxe a universitária Camila dos Santos, estudante de Ciências Sociais da Universidade Federal do Paraná. Camila é da etnia kaingang e moradora da aldeia Kakané Porã, e fala não só sobre a predominância masculina dentre os postos de liderança entre os próprios costumes tradicionais, mas principalmente sobre o apagamento da figura kaingang dentro da universidade, que em espaços de conhecimento perpetuam estereótipos ao invés de incluir os próprios acadêmicos de sua etnia que estão ativos na UFPR. 

Além da série, a Peita também lançou a série de camisetas “Lute Como Uma Garota” em duas versões: em Guarani (“Nhanembaraete xondaria kuery”) e Kaingang (“Tyãg fi vãsãn rike han”).

A versão Guarani terá parte dos lucros revertida para o Movimento Jera Rete, “que leva informações sobre os direitos de acesso à saúde, demarcação de terras, educação, além de debater sobre violência contra a mulher em aldeias do Paraná”; e os lucros da versão Kaingang serão destinados à construção do refeitório das crianças da Aldeia Kakane Porã, localizada na periferia de Curitiba.

A Peita é uma marca-protesto feminista de Curitiba, no Paraná. Conheça o trabalho do coletivo aqui

 

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