Obesidade Farinácea na Infância Desassistida

Farinhas matam a fome de uma forma imediata, mas sozinhas, não nutrem. Uma colherada de açúcar ou um pedaço de rapadura fornece uma súbita energia que em uma situação de caos, ajuda a perpetuar a existência, em condições de sobrevivência. A obesidade associada à desnutrição vem aumentando no Brasil entre crianças que vivem na pobreza. A desnutrição neste caso deve-se a deficiência de ingestão de proteínas e, a obesidade, devido ao excesso de açúcar e farinhas. Uma alimentação assim compromete o desenvolvimento físico e o escolar. Compromete a cognição.   

A chamada distrofia farinácea é uma situação que ocorre em bebês que não estão sendo amamentados e que, por condições econômicas precárias, são alimentados com farinhas diluídas em água, açúcar ou sal. Comem sopa e mingaus feitos com farinha de milho ou com farinha de trigo. Mal nutrida, a criança muitas vezes não perde peso pois os carboidratos retêm água. Bebês gordinhos (na verdade inchados) com a pele esfarelando de secura são comuns nesta desnutrição. Os inchaços são devidos a falta de proteínas. A pele ressecada indica deficiência de vitaminas. O abdome torna-se distendido pelo excesso de glúten. 

A importância da alimentação correta

Com o tempo, à medida que a criança fica mais velha, a apresentação do alimento muda, mas continua sendo o mesmo em sua composição farinácea sob a forma de pão, bolachas e macarrão. 

Em um simples exame de sangue nestas crianças poderemos constatar anemia, baixa de proteínas, baixa de ferro, de vitamina B12 e de zinco. Crianças que se alimentam a base de farinhas e açúcar tendem a ter diabetes tipo 2 na vida adulta. A falta de alimentos proteicos compromete a imunidade. A vitamina B12, que só tem como fonte os produtos animais (carnes, peixes, aves, ovos) é essencial para a fabricação do sangue e para o desenvolvimento do sistema cognitivo.  O zinco é encontrado nos produtos animais e, também nas leguminosas (feijão, lentilha) e é essencial para evitar infecções, fortalecer o sistema imunológico, o desenvolvimento ósseo e força nos músculos e cabelos.

Alguns dos sintomas que podem ser indicativos de desnutrição em criança obesa são o cansaço frequente, a diminuição do ritmo de crescimento, infecções recorrentes, mau humor, alteração do funcionamento do intestino, distensão abdominal, enfraquecimento de unhas e queda de cabelos. 

A desnutrição nos primeiros anos de vida costuma dificultar o aprendizado e a capacidade cognitiva para o resto da vida. 

Programas sociais que amparam e orientam para uma alimentação saudável são necessários para a redução da desigualdade que começa no prato da população pobre e sem instrução básica.

Comida, creche e escola são essenciais para que todos tenham o acolhimento, a comida balanceada e os estímulos para o desenvolvimento do raciocínio e aprendizado. Só assim teremos uma sociedade mais justa, com jovens de classes sociais mais pobres podendo disputar uma vaga em um emprego digno , para mudar a história de sua família e de suas gerações futuras.

 

 

 

 

 

 

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