Peixes: Eu Transcendo

peixes: eu transcendo

elemento: água

princípio: cardeal

palco astrológico: 12

parte do corpo: olhos ‘esbugalhados’ / pés

planeta regente: netuno 

oposto complementar: virgem

peixes no mapa: local em que eu sou sensível, em que eu sinto e me recolho

peixes: o anseio pela dissolução

todo o ser pisciano tem pressa em transcender, em deixar a matéria e de alguma forma se relacionar com o mundo invisível, o mundo sutil, o mundo da dissolução da forma.

o signo de peixes é conhecido por sua capacidade de relacionar-se com o abstrato, seja por meio da espiritualidade, o caminho pela busca da elevação e da desconexão com o mundo material, assim como por todas as possibilidades apresentadas pelas artes.

esta ânsia pela transcendência, típica pisciana, pode ser entendida como uma ansiedade em voltar às águas do útero materno, retornar a um estado de unidade e segurança jamais revivido após o episódio trágico do nascimento (entende-se como ‘trágico’ aquilo que é inevitável).

o signo de peixes é associado ao elemento água e, portanto, tem como característica principal representar uma parte de nosso corpo emocional, nossas emoções: peixes é um signo ultrassensível, geralmente conectado com as emoções alheias: o que pode ser fértil e luminoso por seu grau de empatia e de escuta, ao mesmo tempo que estar conectado às emoções do corpo coletivo pode ter um efeito distorcido, fazendo o ser pisciano sentir-se mal ou angustiado sem saber o porquê: como o efeito esponja, em que se assimila uma tristeza, uma falta que não é sua. 

a pessoa pisciana é um canal sutil, que funciona como uma parabólica, por isso capta e sente as emoções dos outros, o trabalho – aqui – é saber distinguir o que é seu e o que é de outros: quais são os seus verdadeiros sentimentos: qual é o contorno da sua própria existência.

é muito comum ver que o pisciano se espalha e se envolve em relacionamentos por uma espécie de necessidade ‘inconsciente’ do outro: ‘preciso do outro para existir’, de modo a não saberem delimitar seu espaço próprio por falta de limites.

peixes: fusão emocional e autossacrifício

o pisciano sente com constância vontade de fusão, de entregar-se para algo ou alguém, o signo da verdadeira compaixão, o que pode ser confundido com autossacrifício, fazendo de muitos piscianos mártires de sua própria experiência. 

o autossacrifício foi tido durante muito tempo na história da humanidade como humildade, valor precioso aos olhos do Cristianismo: ‘eu não tenho desejos, eu não escolho, eu não existo’: peixes é associado à dissolução do eu, à dissolução e entrega de si a algo maior em busca de pureza e proteção.

Acima, o símbolo ichtus o ichthys, criado pela combinação das letras gregas ΙΧΘΥΣ em uma roda.

O Cristianismo tem o ‘peixe’ como símbolo. Aliás, Jesus Cristo, o pescador de homens e aquele que caminhava sobre as águas, é chamado, em grego, de ICHTHYS, palavra que significa ‘peixe’.

a parte do corpo associada ao signo de peixes são os pés, símbolo desta humildade e devoção: o ato de lavar os pés, beijar os pés do mestre.

peixes: o silêncio das escritoras

a história da rapunzel, que foi isolada numa torre alta e pode ser salva pelo príncipe encantado ao jogar as suas tranças. 

o que isto tem a nos dizer sobre o arquétipo do signo de peixes? 

peixes é o último signo do zodíaco e, por isso, considerado ancião, sábio, conectado e místico. peixes está, como já vimos, mais para o mundo dos céus que para a materialidade, ou seja, o mundo das ideias e dos ideais: o mundo idealizado, o romântico: o mundo invisível das artes e da imaginação.

foi muito comum na história da humanidade ocidental (aqui, falamos da sociedade europeia medieval), que grandes artistas, escritoras mulheres fossem isoladas, retiradas da vida em sociedade, muitas ‘optavam’ pela clausura como forma de sobrevivência e entregavam-se ao divino, convertiam-se ao Cristianismo e tornavam-se freiras; outras, eram recolhidas em torres altíssimas, com apenas um feixe de janela e por lá viviam: isoladas, distante da terra, da família, do povoado, o mundo ‘real’ para elas era um sonho, elas o viam de cima.

torre medieval, França.

o cabelo é também um símbolo de tempo – quanto tempo temos que esperar até que nosso cabelo cresça – o cabelo de rapunzel revela o quanto ela esteve isolada na torre, tempo suficiente para que o cabelo pudesse alcançar o chão. a trança é símbolo das histórias caladas, dos segredos, dos gritos (do alto da torre) que não foram ouvidos. 

a peixes está associado este silêncio, esta ausência e também fazem parte deste signo as histórias caladas, vividas imaginativamente, os romances idealizados, quase que sonhos ideais com o ‘príncipe encantado’, com outra vida, uma vida que não a sua.

grandes escritoras são psicianas, artistas, sonhadoras, potentes, férteis, idealizadoras de novos caminhos, realizadoras do impossível, cantoras, líricas, poetisas, arquitetas, estilistas, maquiadoras, buscadoras, sensíveis, conectadas, feiticeiras: todas responsáveis pela alquimia (transformação) da realidade em fantasia

peixes: sonho, espera e arte

vale desbravar-se sobre a grande variedade de piscianos espalhados pelo planeta. 

é importante ter em mente quando se estuda astrologia – ler textos introdutórios anteriores – que estamos falando de arquétipos, e não de um tipo único de ser. 

ninguém é nem pode ser dogmatizado pelo seu signo, existe todo um mapa (astral) simbólico, associado ao retrato do céu no momento do seu nascimento, altamente complexo e individual.

a capacidade de sonhar está associada ao dom de esperar.

a peixes é entregue o talento da contemplação.

do olho, do olhar, daí a imagem: a fotografia, o cinema, a moda, o estilo: a imagem criando cena, criando trama, trança, drama: o peixe nada e realiza no nada seu estilo de criar, de ser, de transcender.

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