Projeto PIM: Periferia Inventando Moda

Com a proposta de democratizar o espaço da moda, dois amigos criaram uma escola de moda em Paraisópolis, uma das maiores comunidades da zona sul de São Paulo. Alex Santos é estilista e Nilson Mariano é produtor cultural, e juntos começaram o Periferia Inventando Moda, um projeto que desde 2014 realiza desfiles e oficinas para capacitar os jovens da periferia nas mais diferentes áreas do mundo da moda. 

“O nosso objetivo é promover a inclusão social, a capacitação e a qualificação profissionais, a cultura e a moda, a criatividade e autoestima. Estamos falando de costureiras, cabeleireiros, maquiadores, modelos, fotógrafos e todos os profissionais que envolva esse universo fashion.”

Moda para todos

A ideia para um projeto que disseminasse moda em Paraisópolis surgiu depois que Alex assistiu um desfile de João Pimenta em um evento da São Paulo Fashion Week no Centro Educacional Unificado Meninos. Naquele momento, passou a refletir sobre como um evento daquele porte dificilmente aconteceria na sua comunidade.

Na época, Alex estava no segundo semestre da faculdade de design de moda e decidiu abraçar o desafio de criar a sua própria semana de moda em Paraisópolis. E assim nasceu o PIM, levando para a periferia a experiência que Alex teve na SPFW. 

Aos poucos o projeto começou a tomar forma, com a própria experiência de Alex enquanto estudante de moda, o conhecimento em produção do amigo Nilson e apoio do Centro Educacional Unificado Paraisópolis, onde ainda hoje ocorrem as oficinas. O projeto passou a reunir então pessoas que tivessem os mais variados sonhos, seja de desfilar como criar a sua própria marca e coleção. Para participar das oficinas, o único requisito é ser morador da periferia. 

“A moda exerce grande poder individual e coletivo, influenciando a autoestima do indivíduo que é deparado com a expressão de seu lugar no mundo através do seu estilo, bem como mobilizando forças criativas e produtivas, despertando talentos e promovendo o empreendedorismo. É nesse sentido que acreditamos no poder transformador de nossa intervenção.”

O resultado desse trabalho de capacitação e empoderamento pode ser visto anualmente, quando os próprios estudantes têm a oportunidade de criar o seu desfile, com as suas próprias peças. Em 2019, este evento da PIM chegou em sua nona edição, sendo reconhecido como o mais consagrado evento de moda inclusiva do país. 

Nesta última edição, que aconteceu no último dia 21 de julho no CEU Paraisópolis, o PIM reuniu importantes nomes da moda e revelações da periferia em um dia inteiro de desfiles e mesas redondas. O evento teve parceria da própria prefeitura de São Paulo e apoio de grandes marcas de cosméticos, além de nomes como o do consultor de moda Dudu Bertholini, do fotógrafo Leo Faria e da jornalista Cris Guterres na programação. Entre os desfiles estiveram as marcas Afroperifa, Flor do Gueto e Projeto Ponto Firme.

Nilson Rodrigues e Alex Santos (Imagem: Fábio Tito)

Certificação da USP

Com o reconhecimento, o projeto que começou apenas na periferia chegou ao centro, aos grandes eventos de moda e até na Universidade de São Paulo, uma das mais bem conceituadas do país e América Latina. 

Em 2017, cerca de 30 alunos do curso de passarela do PIM tiveram a oportunidade de estar na Revirada Cultural da USP, organizada pelo Departamento de Relações Públicas, Propaganda e Turismo (CRP). Desta experiência, a professora do departamento Clotilde Perez entrou em contato com o grupo e decidiu que a Universidade poderia apoiar o projeto de alguma forma. 

A princípio, a ideia era oferecer bolsas de pós-graduação para os participantes do projeto, mas observaram que era preciso um trabalho anterior, fomentando primeiro a capacitação básica desses alunos. 

Um ano depois, em 2018, nascia então a Universidade Periferia Inventando Moda (UniPIM), resultado da união do projeto original com a Escola de Comunicação e Artes e a Associação Brasileira de Estudos e Pesquisa em Moda (Abepem). Com o apoio, as oficinas continuaram a ser realizadas no CEU Paraisópolis, desta vez como cursos de extensão e certificação oficial da USP. A primeira delas foi sobre semiótica da marca e consumo. 

“É uma oportunidade para a USP dialogar com a comunidade, alimentando o ensino e as nossas pesquisas. Isso é importante para a universidade não se desconectar do mundo”, contou Clotilde ao portal G1.

A USP ficou responsável pela parte acadêmica, enquanto a Abepem pela pedagógica. Além disso, coordenadores de diversos cursos de moda passaram a compor um conselho acadêmico, enquanto empresas e jornalistas de moda um conselho consultivo. A proposta é proporcionar toda estrutura e conhecimentos necessários para que os jovens de Paraisópolis e outras comunidades possam empreender e se prepararem para o mercado de trabalho.

Preparativos para o 8o PIM. (Imagem: Divulgação)

Acesse o Instagram do PIM e a página no Facebook para acompanhar cada nova etapa do projeto.

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