Projeto Sucre: Minimizando os gases de efeito estufa

Você sabia que é possível produzir energia elétrica a partir da palha da cana de açúcar? Esse é o foco do Projeto Sucre, uma iniciativa do Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE) em parceria com o Programa das Nações Unidas para Desenvolvimento (PNUD).

Desde que mais de 170 países assinaram os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ou Agenda 2030), que lista uma série de ações globais para que até 2030 alcancemos uma sociedade mais igual e ambientalmente consciente, a ONU tem estimulado soluções sustentáveis para os problemas do mundo. A produção de energia é um desses obstáculos, por movimentar setores de intensa degradação ambiental.

O petróleo é o grande exemplo das chamadas energias fósseis, de fontes que um dia chegarão ao fim, pois assim como o gás natural é resultado de um processo de decomposição de organismos no solo que levam milhares de anos para se formarem. Quando extraídos completamente, tal fonte passa a ser inutilizável, partindo então para a exploração da próxima.

As Energias Renováveis

O movimento contrário disso está nas chamadas energias renováveis, aquelas produzidas a partir de matérias-primas que podem ser, essas sim, replantadas e reaproveitadas por diversas vezes, causando menor impacto ambiental. Temos como exemplo a própria energia hidroelétrica, a partir do fluxo das águas, como também a solar (do sol) e eólica (do ar).

No setor dos combustíveis, o etanol, ou simplesmente álcool, foi um dos primeiros nesse contraponto, produzido a partir da fermentação de açúcares, aqui no Brasil a cana-de-açúcar. Desde o início do século passado essa fonte renovável de energia vem se desenvolvendo e ganhando espaço no mercado, e o avanço da tecnologia permitiu explorá-la de forma cada vez mais sustentável.

Hoje, o Brasil é destaque no investimento ao que passou a ser chamado de biocombustível, como o bioetanol, biodiesel, biogás… todos produzidos a partir da biomassa: não só a fermentação como a combustão do bagaço da cana e de resíduos florestais para a produção de energia. Além de serem menos invasivas (quando comparadas às fontes fósseis), são também menos nocivas e apresentam menores estímulos aos gases de efeito estufa.

Os avanços são tantos que hoje estudos ainda apontam para o reaproveitamento total desses materiais orgânicos, inclusive da palha que sobra à exaustão nos canaviais.

O Projeto Sucre

O Projeto Sucre surgiu em 2015, junto com a Agenda 2030, e foi uma dessas ações globais de estímulo à ciência e pesquisas que visam a sustentabilidade. Com financiamento do Fundo Global para o Meio Ambiente, o projeto reúne uma equipe de pesquisadores e faz parcerias com usinas do setor sucroenergético para pensarem juntos como ampliar ao máximo eficiência dessas usinas na produção de bioenergia.

Em três anos, o que se descobriu é que a palha da cana-de-açúcar é um componente viável para a produção de energia elétrica com baixa emissão de gases de efeito estufa, sendo também um apoio à produção da bioenergia já constituída do bagaço.

O projeto teve cerca de US$ 67,5 milhões em investimento, promovendo a instalação de estações de limpeza a seco, reforma ou compra de caldeiras, turbogeradores, enfardadoras e outros equipamentos necessários para a implementação dessas atividades nas usinas parceiras. O Sucre ainda promove workshops anuais para apresentar os resultados desse trabalho e ao final de 2018 publicou estudo que aponta como o recolhimento de palha tem melhorado indicadores ambientais.

Segundo essas pesquisas, uma das principais vantagens é que a produção de energia elétrica a partir da palha apresenta emissões de gases de efeito estufa tão baixos quanto a fonte solar e tem o potencial de abastecer 70% do consumo residencial brasileiro.

Pesquisa e Ciência

Ainda assim, o Projeto Sucre pesquisa também as regiões e épocas do ano em que a palha tem uma função de proteção ao solo (em climas mais secos, por exemplo, ela auxilia na retenção da umidade), além de analisar quais as tecnologias e logísticas são mais adequadas para cada usina parceira de acordo com a sua geografia e contexto social e econômico, e ainda prevê a possibilidade de comercialização dessa energia.

Não é de hoje que a ONU estimula essas fontes de energia, e o avanço tecnológico em torno dessas matrizes energéticas acompanharam também uma série de encontros internacionais. A Agenda 2030 é o resultado de um esforço que começou ainda em 1972, quando ocorreu a primeira Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento.

Neste sentido, o Projeto Sucre é um grande experimento. Foram três anos se debruçando na pesquisa e na ciência, estudando os impactos ambientais, sociais e econômicos para poder prever a real viabilidade dessa nova matriz energética. O foco nos próximos dois anos é a solução dos problemas encontrados no caminho. De quatro usinas, a fase dois do projeto chega a sete novas parcerias, ampliando o alcance dessa bioenergia.

O setor elétrico brasileiro é gigante e diverso, e projetos como o sucre são essenciais para um estudo sério e comprometido de estímulo total à ciência renovável. Principalmente sob o gerenciamento do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.

Em seu Canal do Youtube, o Projeto Sucre disponibilizou uma série de palestras de seu Terceiro Workshop de Resultados, onde é possível se aprofundar ainda mais no tema, nas potencialidades dessas tecnologias e também seus impactos no meio ambiente.

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