Rede ArteSol

De norte a sul do país, a Rede ArteSol conecta cerca de 124 artesãos, lojistas e associações e há 20 anos atua na valorização do feito à mão. Desde 1998, a organização percorre o país com projetos de desenvolvimento econômico e inclusão social ligados ao empoderamento de artistas populares.

Oficina de Bordado organizada pela ArteSol no Museu do Meio Ambiente (Rio de Janeiro)

ArteSol: o fazer artesanal de tradição

Foi a antropóloga Ruth Cardoso quem idealizou a ArteSol ainda em 1998 como um projeto de combate à pobreza pela região nordeste brasileira. Em 2002, tornou-se uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público e desde então amplia a sua atuação nas mais diversas áreas do serviço social. Ao todo, a organização já realizou 136 projetos dentre capacitação de artesãos, promoção de turismo, mapeamento de artistas locais e distribuição de renda e comércio justo. A ArteSol é uma verdadeira rede em defesa do patrimônio material e cultural brasileiro; uma ponte entre produtores, comunidade e poder público.

Hoje, a Artesol se funda em quatro pilares: Capacitação (estimulando grupos produtivos a gerir de forma eficiente suas iniciativas e a utilizar novas tecnologias de comunicação e comercialização); fomento cultural (realizando exposições, festivais e seminários para o público geral); fomento econômico (apoiar  a comercialização da produção artesanal dos grupos, buscando a formação e a ampliação e fortalecimento de um mercado consumidor sensível para os princípios do comércio justo); e políticas públicas (influenciar a criação de políticas públicas para a organização e fortalecimento do setor artesanal).

A partir desses princípios, a organização atua em três caminhos: presta consultoria para organizações privadas e governamentais na área cultural e social, desenvolve projetos focados em capacitação de artesãos e coletivos produtivos, e organiza mostras, festivais, exposições, livros e outros produtos culturais. Tudo sempre alinhado às potencialidades de comunidades tradicionais, aos saberes artesanais e as múltiplas conexões com a cultura popular.

ArteSol: como participar

A Rede ArteSol surgiu em 2014 enquanto plataforma que conecta artesãos, mestres, artistas populares, associações, espaços culturais, lojas ou instituições de apoio e fomento. É em uma dessas categorias que você deve se encaixar ao se candidatar. Para fazer parte da Rede, é preciso atender aos critérios de trabalhar com saberes locais e técnicas tradicionais, manejo sustentável de matérias-primas naturais, não utilização de mão-de-obra infantil, boa gestão, igualdade de gênero, excelência na qualidade e capacidade produtiva. Todos os perfis são analisados semestralmente, com retorno sempre ao final do sexto mês.

Os participantes têm acesso a conteúdos exclusivos de formação e inovação artesanal, convites para participar de exposições, feiras e fóruns de aprendizagem, divulgação do trabalho e marca nas redes sociais e mídias impressas, e o principal benefício de participar de uma das principais comunidades que valorizam o artesanato brasileiro. Como responsabilidade, é preciso estar disposto a compartilhar aprendizados e ter uma postura ética e solidária nos relacionamentos iniciados a partir da Rede. Confira aqui todos os detalhes.

Além da plataforma, a ArteSol ainda gerencia a Artiz, loja física onde os produtos dos artistas apoiados pela Rede ArteSol podem ser vendidos. O projeto tem uma curadoria que busca aproximar os artesãos do público consumidor e comercializa produção de 50 diferentes grupos associados, dentre técnicas de trançados, rendas, bordados, cerâmicas e tecelagem. A Artiz fica no Piso 2 do shopping JK Iguatemi, em São Paulo, e  todo lucro da loja é revertido para os projetos de capacitação da organização.

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Rede ArteSol: festival e exposição Criativos por Tradição

Além do empreendedorismo, a promoção cultural é outro compromisso da ArteSol e nesse sentido o Festival ArteSol é o grande destaque. O evento, inédito na trajetória da organização, começou no último dia 22 de novembro e segue até dia 31 de janeiro deste ano, no Museu do Meio Ambiente, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. No espaço foi organizada a exposição Criativos por Tradição, com cerca de 300 peças de mais de 200 diferentes, além de seminários, feira e oficinas que seguem até o último final de semana da programação.

O Festival celebra a diversidade das técnicas e das matérias-primas brasileiras. Todos os artistas reunidos na exposição trabalham com materiais naturais que eles mesmo coletam dos mais diferentes biomas do Brasil. São telas bordadas, trançados com fibras da Amazônia, do Cerrado, Mata Atlântica e Pampas, potes de cerâmicas inspiradas na arte rupestre, sandálias de couro da cultura sertaneja, entre outros. Tudo criado com técnicas ancestrais e que reflete a cultura dos povos tradicionais.

Sempre aos finais de semana, o espaço é palco também para uma série de oficinas que permitem o contato direto do visitante com as técnicas. De 11 a 13 de janeiro, as oficinas serão de Feltragem de Lã com a associação Ladrilã, que desde 2010 trabalha com produtos utilizando a lã como matéria prima. As oficinas ocorrem tanto na parte da manhã (9h) como da tarde (14h),  e é preciso se inscrever para participar. Clique aqui e faça sua inscrição.

Já se 18 a 20 de janeiro Edjane Maria de Lima ministrará as oficinas de Bonecos Mamulengo, entalhados em madeira de mulungu utilizados no teatro de bonecos tradicionais do Nordeste brasileiro. Os horários e o link de inscrição segue o mesmo. Nos dias 25 e 26 as oficinas serão de Bordado Livre com o grupo Matizes Dumont, de Minas Gerais, e no dia 27 a marca Araruna será a responsável pela oficina de Macramê, técnica pré-histórica de amarração de fibras, um método de tecelagem manual sem o uso de nenhuma ferramenta. Para todas as vagas são disponibilizadas 15 vagas.

Queremos dar visibilidade a essa forma tão verdadeira de arte que é o artesanato que brota do do encontro do imaginário do artesão com a matéria e as formas da natureza ao seu redor. Com o Festival, teremos, além da exposição, uma oportunidade ímpar para o debate, a troca de experiência e de compartilhamento de histórias autênticas”, afirma Sonia Quintella, presidente da Artesol.

O Museu do Meio Ambiente fica na Rua Jardim Botânico, 1008.  Às segundas-feiras, a abertura é às 12h. De terça a domingo, às 10h com encerramento às 18h todos os dias.

Todos os relatórios, documentos e publicações da ArteSol são disponibilizados aqui e também não deixe de acompanhar a ArteSol no Instagram! Além disso tudo, a organização também possui um grupo no Facebook para todos os artesãos interessados em trocar experiências. Participe, troque experiências e venha fazer parte dessa rede do bem.

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