Rocks Portrait: A arte do equilíbrio de pedras

Kokei Mikuni é um japonês que acumula quase 200 mil seguidores nas redes sociais com uma arte-terapia muito específica: o empilhamento de rochas. Kokei tem chamado atenção da mídia internacional com suas obras fotografadas nos mais diferentes cenários em meio à natureza. Ao projeto de empilhamento dá o nome de Rocks Portrait e, para alguns, o trabalho de Kokei é chamado de poesia visual.

O equilíbrio de pedras de Kokei 

O escritor venezuelano David Pérez Pol define como poesia visual o uso de objetos do reino animal, vegetal e mineral e subversão de seu significado original, seja através de seu uso físico ou representação. “Use palavras como objetos e objetos como palavras. Fazer novas associações, geralmente incongruentes (isto é, inúteis) cujo resultado nos leva a uma visão diferente, a uma lógica latente que traz surpresa e novidade e, portanto, congruência e utilidade”, explica em seu site. De fato, o uso que Kokei Mikuni faz das rochas caminha sob o olhar da poesia visual ao utilizar pedras, algo aparentemente sem valor ou conceituação, para criar obras que exprimem beleza, reflexões e arte. David Pérez ainda completa: “Algo de surrealismo, algo absurdo, algo da criança que nos sobrevive e muito respeito”.

Konkei conta em seu site que três coisas são necessárias para o equilíbrio de pedras: gravidade, fricção e paciência. Para além das rochas, essa arte introduz quem a pratica em um caminho de equilíbrio com a própria natureza. “Por existir elementos próximos ao Zen, você também pode aproveitar para abandonar seus pensamentos, o que leva ao relaxamento da mente e do corpo”, explica. No conhecimento Zen de contemplação meditativa, as rochas simbolizam solidez e estabilidade, o que é antigo e a durabilidade; mas quando empilhadas simbolizam a fragilidade e a possibilidade de desmoronar. A arte do equilíbrio não tem origem exata, mas é encontrada a sua prática em diferentes culturas.

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Konkei pertence à Ishihana, associação pioneira nesta técnica no Japão, onde é conhecida como “Flor de Pedra”. O nome é uma alusão ao formato das colunas, como flores que brotam da própria natureza, como os leitos de rio onde as pedras são geralmente reunidas. No portal do grupo, explica-se a paixão por essa prática e a sua experiência sensorial: “Ao equilibrar um bloco de pedras, é como se ouvíssemos o som do coração da Terra. Nos unimos ao magma da terra e reconhecemos em silêncio que nosso corpo é um fragmento natural. Além disso, você perceberá sua consciência rolando no fluxo eterno do tempo”.

O processo de empilhamento é lento, e ainda que a coluna desmorone instantes após a conclusão, o percurso é o principal. Escolha as pedras com calma, principalmente ásperas para causar uma certa fricção e avalie o peso de cada uma, Certifique-se também de criar uma base em tripé para sustentar cada coluna. Cair não é um problema e faz parte da beleza natural do equilíbrio.

Para conferir mais imagens e detalhes dessa arte, acompanhe o Rocks Portrait pelo Facebook (clicando aqui) ou pelo Instagram. O projeto ainda possui um canal no Youtube e site oficial.

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