São Miguel das Missões

São Miguel das Missões

Desde meados de 1600, padres jesuítas cruzaram o Oriente e as Américas para difundir o cristianismo em terras indígenas. À noroeste do estado do Rio Grande do Sul, a pequena São Miguel das Missões mantém viva essa memória e vestígios dos anos em que as Missões Jesuítas catequizavam índios guarani na região. São Miguel fez parte de um dos Sete Povos das Missões, aldeamentos indígenas fundados pelos padres na região sul do país.

São Miguel das Missões e o tesouro dos Sete Povos

Os Sete Povos são: São Miguel Arcanjo, São Francisco de Borja, São Nicolau, São Lourenço Mártir, São João Batista, São Luiz Gonzaga e Santo Ângelo Custódio. Desses, São Miguel destaca-se por ser um dos maiores e ter a maior instalação preservada ainda hoje. É no município de pouco mais de 7.000 habitantes, e há 475 quilômetros da capital Porto Alegre, onde estão as ruínas do Sítio Arqueológico de São Miguel Arcanjo. Por ele passam cerca de 80.000 turistas ao ano.

Inscrição guarani no pórtico da cidade diz: “Esta terra tem dono” (Imagem: Trilhas e Aventuras)

 

As missões jesuítas eram cruzadas cristãs que levavam pedras às regiões inabitadas para levar o evangelho do cristianismo a povos não-cristãos. Na região sul do país, no século XVII ainda território Espanhol em meio à uma forte disputa com Portugal por terras, as missões concentraram-se na catequização de índios guarani, comuns na região. Ainda hoje, índios vendem seus artefatos nas ruínas do Sítio Arqueológico.

A primeira instalação de São Miguel das Missões ocorreu em 1632 e os jesuítas Cristóbal de Mendoza Orellana e Paulo Benevides foram os responsáveis por sua fundação original às margens do Rio Ibicui, até serem atacados cinco anos depois e migrarem para proximidades de Concepción, território hoje Argentino. Foram perseguidos novamente pelos Bandeirantes, sertanistas que buscavam por riquezas no interior da América do Sul no período colonial, e se instalaram no território onde hoje está São Miguel das Missões em 1687. A redução, nome dado a esses assentamentos, foi construída a Igreja de São Miguel, inspirada na Igreja de Gesú (Roma), uma praça de 130 metros, um colégio, a casa dos padres, cemitério, oficinas, adega, plantações e um estruturado povoado indígena.

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As ruínas hoje

Hoje, no local onde havia o grande povoado jesuíta, restam ruínas que mostram as construções monumentais que um dia estiveram ali. A construção da igreja durou 10 anos, erguida com pedra de cantaria e branqueada com argila tabatinga, e sua estrutura foi feita em pedra (ao invés de madeira) ligadas por barro na falta do cal (material mais comum para alvenaria à época) na região. Além das construções históricas, pinturas e esculturas em arenito hoje compõem o Museu das Missões e são um resgate desse período. A riqueza cultural e imaterial do Sítio Arqueológico lhe rendeu em 1983 o título de Patrimônio Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e Cultura (Unesco). Antes disso, em 1938, foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

O período dos Sete Povos foi importante para o desenvolvimento cultural do Rio Grande do Sul. As reduções desenvolveram cultura própria, e além da empreitada missionária-cristã, também impulsionaram a economia, a arte e a produção agropecuária. Em 1750, porém, após cinco anos da conclusão da construção da Igreja central, os Sete Povos iniciaram seu período de desmanche. Naquele ano, a Espanha entregou a região a Portugal em troca de uma colônia no Uruguai e as reduções foram invadidas mesmo que com resistência indígena. Os jesuítas acabaram expulsos da América em 1768 e as missões encerradas em 1773 pelo papa Clemente XIV.

Toda a história, dos primeiros assentamentos ao seu fim, pode ser ouvida no Espetáculo de Som e Luz, o mais antigo espetáculo do tipo no Brasil, que narra a saga dos jesuítas e guaranis através de projeção nas ruínas da antiga Igreja de São Miguel. A atração ocorre diariamente no Sitio Arqueológico, às 20h30, com entradas de R$10 a R$25. Em inglês, somente às quartas, sextas e domingo; em espanhol, às terças, quintas e sábado. A visitação às ruínas é aberta de terça a domingo, de 9h às 20h, com ingressos a partir de R$7.

São Miguel das Missões ainda reúne opções de turismo rural, com fazenda e vinícola, visita à aldeia Guarani local, à fonte Missioneira (a 1km do Sítio Arqueológico e com mais de 300 anos), além do Museu das Missões, com as obras da época.

A cidade fica na fronteira com a Argentina, há 175 quilômetros da cidade de São Borja. Saindo de Porto Alegre, acesse a rodovia BR-116 sentido Canoas. Troque para a BR-386 até o município de Tio Hugo, onde pegará o retorno para a RS-223. Depois de Ibirubá, acesse a BR-399, siga até Cruz Salta, onde pegará a RS-342 até Ijuí e então a BR-285. Ao final, encontrará o acesso a São Miguel das Missões.

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