Uiramutã, a cidade indígena

uiramutã

Uiramutã, no extremo norte brasileiro, é a cidade com maior percentual de sua população declarada indígena: 85% segundo o IBGE. A pequena cidade tem pouco mais de 9.000 habitantes e é conhecida não só como cidade indígena como também pelas cachoeiras que compõem sua beleza natural. O acesso é difícil, em grande parte por estrada de terra, mas o destino vale à pena:  um município simples, com ecoturismo e paisagens deslumbrantes.

A história de Uiramutã

Uiramutã foi fundada em 1995, como desmembramento do município de Normandia, a extremo norte de Roraima. A cidade fica na tripla divisa entre Brasil, Guiana e Venezuela, e seu nome significa “local de espera de aves”. Marco dessa divisa é o Monte Caburaí, com 1.456 metros de altitude. Uiramutã é um pouco menor, mas ainda assim alta.  São 840 metros de altitude, rodeada por serras, vales e montanhas onde se escondem as cachoeiras que atraem o turismo para a região.

Para chegar, o trajeto não é dos mais fácil. São cerca de 300 quilômetros desde a capital Boa Vista. Parte, cerca de  160 km, pela BR-174 Norte em direção ao Município de Pacaraima até o cruzamento com a BR-433. De lá, são mais 140 km por estrada de terra. No total, são 6 horas de trajeto com pouca sinalização ou abastecimento. Por isso, uma revisão total se faz ainda mais necessária.

Justamente pela distância, Uiramutã é um paraíso escondido. O centro urbano, discreto, é simples e reúne o básico na avenida central: mercados, farmácias e pousadas. Os sinais de internet e telefonia móvel também são dificultados, mas não é o quê buscam os turistas que chegam à cidade. São três as principais cachoeiras cartão-postal de Uiramutã: Sete Quedas, Cachoeira do Urucá e as Corredeiras do Paiuá. Outras conhecidas, como as Cachoeiras da Andorinha e Tamanduá e o Vale dos Cristais, ficam sob proteção da terra indígena Raposa Serra do Sol. Para acessá-las é necessário autorização.

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O que encontrar em Uiramutã

A Paiuá (nome em referência a uma bebida indígena de beiju) e Sete Quedas são os pontos mais populares. A primeira é uma cachoeira pequena, com um grande poço de água esverdeada ideal para banho, e pode ser acessada de carro (7 km pela estrada de terra). Já a segunda, mais radical, só pode ser acessada até certa parte da serra, de onde é necessário seguir por uma trilha que leva às quedas sequenciais que enchem uma piscina natural.

No mesmo igarapé da Sete Quedas surgem outra dupla bastante conhecida: as cachoeiras Urucá e Urucazinho. A queda d’água de Urucá tem 20 metros de altura, e o acesso se dá por uma trilha bastante íngreme. Pela estrada de terra, são 14 km e 10 de caminhada. Já a Urucazinho é uma surpresa, uma pequena corredeira entre blocos de pedra. O destaque fica pela piscina que se forma com água cristalina.  

Outras opções são as Corredeiras do Cotingo, um dos rios que circundam Uiramutã. Os outros são o Rio Mau, Canã e Ailã. No município também está parte do Monte Roraima, um enorme platô que garante dias de expedição, como já compartilhamos aqui no blog. É importante ressaltar que, para todos esses passeios, é imprescindível a orientação de um guia local, principalmente pelo difícil acesso e falta de sinalização.

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Conhecer Uiramutã é um desafio que exige disposição e condicionamento físico, mas também recompensa com um espetáculo natural. Um dos tesouros do Brasil profundo.

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