Um café com ancestralidade.

Quem são as suas heroínas? A gente começou a ouvir essa pergunta de uns anos para cá. É recente parar para pensar em quais mulheres nos inspiram, quais líderes femininas fazem nossos olhos brilharem e provocam profunda admiração. A pergunta vem precedida de um vácuo histórico de protagonismo e uma carência e dificuldade de nos olharmos e sentirmos poderosas.

Ainda que não houvesse uma compreensão consciente sobre a questão, é fácil dar conta de como as mulheres que vieram antes de nós têm presença nas nossas ações, pensamentos, trejeitos. E elas não são necessariamente as reconhecidas internacionalmente com menções honrosas ou prêmios. Na maioria dos casos, elas estão do nosso lado, dia a dia. Essas mulheres nos criaram e moldaram e de tanto olharmos para elas, fomos captando um pouco da essência.

Hoje eu respondo com tranquilidade quem são as mulheres que eu mais admiro: minha mãe e minha avó materna. Minha mãe é, com toda certeza, a pessoa que mais me dedicou amor na vida. Muito mais que a metade de qualquer coisa que sou é em razão dela e de todas as renúncias que fez em meu nome. Minha vó é uma senhora calma, que fica no portão vendo as novidades e sempre vai te receber com um sorriso. Essas mulheres de muitas histórias, muitas vivências e sabedoria. Essas mulheres são as minhas ancestrais, que derivam de outras, que nos une a um laço único.

Quando lembro da infância, percebo o quanto eu aprendi sobre vida vendo minha vó escolher cada feijão para o almoço. Quando estou em situações de fragilidade e medo, encho o peito de ar e lembro o quanto minha mãe me ensinou a ter coragem. É estranho compreender todas as escolhas maternas antes mesmo de me tornar mãe, mas aos 23, eu entendo perfeitamente – e agradeço! – por todas as decisões que minha mãe tomou. E sim, repetiria a criação que tive.

Esse texto é um convite a pensar nas mulheres que estão conosco e muitas vezes são até invisibilizadas por nós mesmas. Antes do covid esquentar a pauta sobre os mais idosos, há quanto tempo que as mais velhas não ocupam o centro do debate? Desde quando paramos de olhar para nossa árvore genealógica e enxergar o quanto aquelas mulheres líderes, matriarcas, heroínas?

Ancestralidade é a grande chave de nós mesmos. Convoque a sua. Chame sua avó para um café.

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