Dia Mundial da Paz: Uma homenagem a Raoni

1 de janeiro é oficialmente o Dia Mundial da Paz, idealizado por Paulo VI nos anos 60 e acolhido pela ONU como um convite ao diálogo entre todas as nações. Para celebrar este marco, a primeira Quarta Gloriosa de 2020 será uma homenagem ao cacique Caiapó (ou Kayapó) Raoni Metuktire.

Na infância nômade às margens do Xingu, Raoni teve uma vida reclusa dentro da floresta. Foi nos anos 50 que teve seu primeiro contato com o homem branco, aprendeu a falar português e percebeu o risco que sua ancestralidade corria e a necessidade da busca pela paz.

O líder indígena dedicou sua vida em defesa da Amazônia e dos direitos dos povos da floresta. Responsável por levar as necessidades de seu povo para dentro da política e por construir o diálogo com os diferentes Raoni, que sempre viveu na floresta, tornou-se uma figura importantíssima para a cultura brasileira.

Nos anos 1950 esteve com o presidente Juscelino Kubitschek para pedir compromisso à causa dos povos originários; em 1960 levou este pedido ao presidente da Bélgica Leopoldo III e em 1978 esteve no Oscar com o documentário “Raoni”, de Luiz Carlos Saldanha e Jean-Pierre Dutilleux. Nos anos 1980 viu a sua causa ser ainda mais reverberada, viajando pela Europa ao lado do cantor Sting e da Fundação Rainforest, quando passou por mais de 15 países denunciando o desmatamento no entorno do Parque Indígena do Xingu. Essa ação foi decisiva para a demarcação das terras caiapós na década seguinte e para a formação de um grande parque nacional, a maior reserva indígena do planeta.

Através do diálogo surgido, entre lideranças políticas e religiosas, Raoni conseguiu proteger as terras de sua etnia e é assim que segue atuando ainda hoje. recentemente, já com cerca de 90 anos, esteve de volta à Europa, levando ao mundo as violências que acontecem por aqui, ao mesmo tempo que fazia a campanha para o prêmio Nobel da Paz. O ganhador foi o primeiro-ministro da Etiópia Abiy Ahmed Ali, mas o nome de Raoni Metuktire já figura Na lista para o prêmio em 2020, tendo sido indicado pela Fundação Darcy Ribeiro.  Em uma carta de apoio ao Nobel da Paz, o líder Yanomami Davi Kopenawa reconhece a trajetória de Raoni através das décadas. “Se estas lideranças não tivessem realizado sua luta, saindo de suas comunidades e viajando o mundo, os direitos dos povos indígenas não estariam reconhecidos”.

Há mais de 50 anos Raoni é um rosto para a causa indígena no país, e sua voz reverbera a realidade de mais de 300 etnias que compõem os nossos povos tradicionais. Assim, levou às páginas da revista inglesa The Guardian, em setembro de 2019, um alerta:

Nós todos respiramos o mesmo ar, nós todos bebemos a mesma água. Nós vivemos nesse único planeta. Nós precisamos proteger a Terra. Se não fizermos isso, os grandes ventos virão e destruirão a floresta. E então vocês vão temer o que nós sentimos.

Que a voz indígena seja ouvida e que possamos juntos construir um diálogo pela paz neste novo ano, que será dedicado integralmente aos povos originários na Bemglô!

Venha conhecer mais da trajetória de Raoni aqui!

 

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