Uma Vida Imprevista: Ruy Teixeira

A Galeria Passado Composto Século XX, que há mais de 20 anos comercializa arte, antiguidades e design, abriga a exposição “Diálogos Imprevistos”, que reúne fotografias de Ruy Teixeira, também responsável pela curadoria da ambientação do espaço. A mostra revisita os últimos 15 anos de sua carreira internacional com registros diversos. Lá estão cadeiras de Lina Bo Bardi, obras de Lygia Clark e Franz Weissmann, objetos de diversos cultos religiosos, projetos de arquitetura assinados por Oscar Niemeyer e Jean Nouvel e jardins de Burle Marx em associações que vão da cor à forma, da luz à escala, propondo um diálogo imagético – e geométrico –  entre o detalhe de um móvel e uma escada, por exemplo.

São das sutilezas que Ruy fala e registra em fotografias. Ele cria por intermédio de imagens um vocabulário muito particular composto por jogos de associações imprevistas entre seus registros que passeiam pela arte, arquitetura e design. Com essas imagens aparentemente fragmentadas, Ruy Teixeira exibe dípticos e polípticos nos quais suas fotografias criam uma narrativa visual que começou – na verdade – a ser escrita e registrada há 40 anos.

E o nome da exposição dialoga muito com a vida do próprio artista. Uma vida com imprevistos que mudaram seu rumo e moldaram sua arte, tornando-o um dos mais importante nomes da fotografia brasileira. Foi em 1979, após uma estadia em Londres e de volta ao Brasil, que Ruy iniciou sua carreira de fotógrafo. Depois de abandonar a faculdade de engenharia e iniciar a de jornalismo, dedica-se ao fotojornalismo cobrindo reportagens para revistas como a extinta Visão, a IstoÉ e Veja, entre outras. Sete anos depois vai para a Europa para uma viagem com duração prevista para dois anos que acabaram se transformando em mais de duas décadas.

Ainda no Brasil, Ruy trabalhou durante 10 anos com moda, colaborando com Costanza Pascolato, Regina Guerreiro, Lilian Pacce, Paulo Martinez, Giovanni Bianco e Ocimar Versolato. Aliás, foi cobrindo os desfiles de moda que se apaixona pelos espaços e arquitetura das locações, e a partir de 1994 começa a se dedicar integralmente ao design e à arquitetura fotografando para revistas como Wallpaper, Interni [referência Internacional da arquitetura e do design], AD, Elle Decor [edições da Itália, França, Inglaterra, Alemanha e China], House & Gardens, Maison di Marie Claire e a Vogue Alemã. Em 2012, depois de 25 anos morando em Milão, retorna ao Brasil, onde passa a colaborar assiduamente com a Casa Vogue, Bamboo, Wish Casa e Revista Kaza, entre muitas outras.

Ao longo da sua estadia europeia, além de fotografar desfiles, ele realizou campanhas para marcas fundamentos da moda como Fendi, Missoni,Hermès, Louis Vuitton, Dolce & Gabbana, Paul Smith, Salvatore Ferragamo, Christian Lacroix, Jean Paul Gaultier, Giorgio Armani e Ermenegildo Zegna para citar algumas. Ruy também colabora diretamente e realiza projetos com designers e arquitetos no Brasil e no exterior, alguns deles referências internacionais como Paulo Mendes da Rocha e Daniel Libeskind; além de nomes como Ruy Ohtake, Isay Weinfeld, Patricia Anastasiades e Thiago Bernardes, neto de Sergio Bernardes, um dos ícones da arquitetura moderna brasileira.

Entre os designers com quem já colaborou e ainda colabora estão Etel Carmona, Tom Dixon, Fernando Jaegger, Gaetano Pesce, Irmãos Campana, Carlos Motta e o ,OVO, escritório de design comandado por Luciana Martins e Gerson de Oliveira. Mas não é só na arquitetura e design que Ruy imprime sua marca. Também colabora com alguns dos mais importantes nomes das artes visuais no Brasil como Antonio Dias, Lenora de Barros, Miguel Rio Branco, Ana Tavares, Mario Cravo Neto, Arthur Lescher e Paulo Pasta. A lista é imensa e tem até registros do bruxo do jazz Miles Davis, e de um dos mais importantes criadores do teatro mundial, Bob Wilson.

No Brasil seu trabalho já foi exibido no Museu da Casa Brasileira, na Galeria Fauna e no Instituto Cultural Brasil-Itália, além de várias cidades da Europa. Em 2013 publicou o livro “Brasília Palace”, um ensaio fotográfico sobre o primeiro edifício construído por Niemeyer em Brasília, e suas fotografias também estão em livros como o recente “Gregori Warchavchik, o primeiro moderno do Brasil”, “Ruy Ohtake: O Design da Forma”, “Arte Popular Brasileira: Olhares Contemporâneos” e “Desenho da Utopia – mobiliário moderno brasileiro”, entre outros.

Paralelamente à exposição, o público ainda é brindado com peças do acervo da galeria como tapeçarias artísticas e obras – matrizes únicas – de renomados artistas como Genaro de Carvalho, Jacques Douchez, Norberto Nicola e Rubem Dario, ambientadas com móveis raros de design moderno os mestres brasileiros Joaquim Tenreiro a Jean Gillon. Imperdível.

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Serviço: “Ruy Teixeira – Diálogos Imprevistos” está em cartaz na Galeria Passado Composto Século XX até o dia 21 de setembro. De segunda à sexta, das 10h/ 19h, e sábado, das 10h/ 15h. Alameda Lorena, 1996, Jardins, São Paulo.

 

 

 

 

 

 

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