Vidas Quilombolas Importam

Salve, Glorioses.  Nesse último ano, o mundo tem debatido intensamente sobre racismo, essa infeliz herança dos colonizadores que utilizaram largamente a mão-de-obra escrava. Mas onde houve escravidão houve também resistência; e os quilombos – comunidades formadas por pessoas escravizadas que se refugiaram em busca de sobrevivência, estão aí, resistindo, de norte a sul do país.

Claro que isso não tem sido fácil. Estamos falando de cerca de 300 anos de muita luta por terra e direitos, mesmo depois da abolição, principalmente o icônico Quilombo dos Palmares, que foi fundado ainda no século XVI no que hoje é o estado do Alagoas e foi um verdadeiro reinado até Zumbi, seu último líder, morrer em batalha.

Além da busca pela liberdade, os quilombos, que obviamente eram afastados dos engenhos e de difícil acesso, se tornaram verdadeiros polos culturais onde as tradições, a religiosidade e mesmo os próprios idiomas desses povos foram preservados. As rodas de tambor, jongo (dança de origem africana), capoeira e maculelê (dança tribal) fazem parte da rotina nesss comunidades rurais, que nos ensinam sobre ecologia e economia circular.

Não havendo com quem comercializar, o auto-sustento era fundamental e a preservação da mata e o cultivo de ervas medicinais propiciaram a manutenção dessas comunidades até os dias atuais. Um levantamento da Fundação Cultural Palmares mapeou cerca de 3.500 desses assentamentos, sendo Kalunga o maior deles, com território que atravessa três municípios de Goiás e acolhe cerca de 8 mil pessoas.

A história de Kalunga se cruza com a dos povos Xavante, Kaiapó, Karajá, entre muitos outros originários da região. Para onde fugiram as pessoas escravizadas que trabalhavam de sol-a-sol na Mina Boa Vista? Eles se juntaram aos povos indígenas que também tratavam de sobreviver à colonização. No Rio de Janeiro, o Camorim também tem herança indígena – na fronteira do Parque Estadual da Pedra Branca, habitada por Tupi-Guaranis antes mesmo da colonização, os que fugiram dos engenhos de cana de açúcar formaram o quilombo que hoje é referência na zona oeste carioca. Quem o visita pode participar das oficinas de dança, das feijoadas, das ações de reflorestamento e das festividades folclóricas.

A cultura brasileira é amálgama de sangue europeu, indígena e negro. Preservar as comunidades indígenas e quilombolas significa salvar a nossa própria memória e os saberes ancestrais desses povos. A Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas tem sido essencial, há 25 anos, nessa batalha por direitos essenciais e vale à pena conhecer a sua história.

Clique aqui e confira o Observatório de Terras Quilombolas da Comissão Pró-Índio de São Paulo.

Dica de documentário: Vidas Quilombolas – Orgulho, história e cultura.

Um beijo e até a próxima Quarta Gloriosa!

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